05/12/2013

Do golpe militar ao golpe do judiciário


Durante o julgamento do "mensalão", ministros do STF dormiram no momento em que advogados da defesa dos réus falavam. Esta situação foi retratada por Honoré Daumier( 26 fevereiro, 1808 - 10 fevereiro, 1879)na série "Les Gens de Justice"

"É um escândalo. É, efetivamente, a prática de um terrorismo virtual, de um terrorismo de ciberespaço que tem um sentido estratégico e semiótico, pois visa atacar exatamente o que há de mais fundamental na formação de consciência pública em sociedades massificadas e complexas como as atuais, que são os sistemas de comunicação. Este terrorismo semiótico visa impedir a liberdade de informação e a construção da cultura e da identidade latino-americana por fora da pasteurização estadudinense e dos valores pobres da globalização neoliberal" (Jefferson Miolla)


BOMBARDEIO MIDIÁTICO - Como ocorre em todo e qualquer golpe, as pessoas ainda não se deram conta do que ocorreu no julgamento do mensalão, de exceção, como tem apontado especialistas. As pessoas tem sido bombardeadas por argumentos jurídicos, políticos e éticos, além de muita propaganda enganosa dos meios de comunicação que desde o início conduziram este processo farsesco. Esse bombardeio tem confundido  que pretende formar uma opinião com isenção, pois desta forma torna-se impossível se diferenciar as mentiras da realidade dos fatos. A grande mídia, comprometida ideologicamente ou por troca de favores políticos, a todo momento manipula a opinião dos mais jovens com versões distorcidas sobre a AP 470.

CARLOS LACERDA PRESENTE - Só sei que, em relação que, em relação ao golpe militar, não mudou nada, os personagens são os mesmos. Criticamos Joaquim Barbosa mas sabemos que, a par da sua covardia, ele(Barbosa) não passa de um tolo a serviço da mesma elite que manteve o país por décadas sob um regime de tortura, cassações, exílio, cassações e assassinatos. Barbosa faz o papel de Carlos Lacerda(UDN) sem saber que, tal como ele(Lacerda) será também descartado tão logo cumpra sua função. Está tão claro, não falta nem mesmo aquela população aplaudindo as atrocidades até o dia em que caiu a ficha. 

ONTEM 'TERRORISTAS' E HOJE 'MENSALEIROS" - Duas palavras mágicas para justificar a humilhação, a cassação de direitos políticos e a decretação da more civil, até nisso a história se repete embora como farsa: Os presos políticos são os mesmos. Com saudade da palavra "Junta", Barbosa instalou uma Junta Médica ao convocar médicos da sua estrita confiança, tal como Henry Shibata, diagnósticos foram distorcidos, laudos foram editados.

MANTER O STATUS QUO - Não mudou o objetivo central da caça aos "terroristas" (sic, "mensaleiros): Solapar as conquistas do povo brasileiro, eis a lição: Ai daquele que se atrever a alterar o status quo desta nação mesmo que não como seria justo. Ai daquele que expulsar da cozinha do Planalto os jornalistas que trabalham para o oligopólio midiático: Não haverá trégua. É disso que se trata. 

HUMILHAÇÃO NA PRISÃO - Joaquim Barbosa deixou os "seus presos" (não presos do Estado) aos cuidados de um juiz que tem fortes relações, além de parentesco, uma vez que  é filho de um ex-secretário de Arruda, o qual  foi-lhe prestar solidariedade na prisão e mantém-se fiel até hoje, o juiz natural foi afastado, de forma ilegal, por Joaquim Barbosa. Como disse, é o mesmo script do golpe militar, não faltou nem mesmo a Constituição Federal jogada no lixo por um julgamento de exceção que se mantém neste momento de execução das penas.

A JUNTA MILITAR (SIC, MÉDICA) DO BARBOSA - Embora seja flagrante a ilegalidade da junta militar instalada para fazer os últimos arremates neste julgamento de exceção, fico me perguntando se ao ficarmos debatendo isso levaria a algum lugar, é como se, em plena ditadura militar, ficássemos debatendo a legalidade da Justiça Militar. Como ficar discutindo atos dentro de um processo injusto, ilegal e de exceção. Justiça boa é justiça justa, o que não foi o caso desse julgamento de exceção. Só sei que a mídia está repetindo o mesmo script da ditadura militar, não muda nada: Estamos diante de um golpe do judiciário, os presos políticos são os mesmos, parte da população aplaudindo os torturadores faz-se presente, o modus operandi da elite tupiniquim para solapar as conquistas do povo brasileiro e manter a ferro e fogo seu status quo é o mesmo, que tal discutirmos por aqui:

Do golpe militar às Diretas
Do golpe militar às Diretas-Já 
Do Blog do Miro
O golpe militar de 1964 serviu aos interesses – ideológicos, políticos e empresariais – dos barões da mídia. Com exceção do Última Hora, os principais jornais, revistas, emissoras de TV e rádio participaram da conspiração que derrubou João Goulart. O editorial da Folha de S.Paulo de 17 de fevereiro de 2009, que usou o neologismo “ditabranda” para qualificar a sanguinária ditadura, ajudou a reavivar esta história sinistra – além de resultar num manifesto de repúdio com 8 mil adesões de intelectuais e na perda de mais de 2 mil assinantes. Afinal, não foi apenas a Folha que clamou pelo golpe. Vários livros documentaram a participação ativa da mídia, inclusive listando veículos e jornalistas a serviço dos golpistas [9]. Os editoriais da época escancararam essa postura ilegal. 

 “Graças à decisão e heroísmo das Forças Armadas, o Brasil livrou-se do governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo a rumos contrários à sua vocação e tradições... Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares”, comemorou o jornal O Globo. “Desde ontem se instalou no país a verdadeira legalidade... A legalidade está conosco e não com o caudilho aliado dos comunistas”, afirmou, descaradamente, o Jornal do Brasil. “Escorraçado, amordaçado e acovardado, deixou o poder como imperativo de legítima vontade popular o Sr. João Belchior Marques Goulart, infame líder dos comunos-carreiristas-negocistas-sindicalistas”, disparou o fascistóide Carlos Lacerda na Tribuna da Imprensa. 
Na sequência, alguns veículos ingeriram seu próprio veneno e sentiram a fúria dos fascistas, que prenderam, mataram, cassaram mandatos e impuseram a censura. Lacerda, que ambicionava ser presidente, foi escorraçado pelos generais. Já o Estadão, com a sua linha liberal-conservadora, discordou do rumo estatizante do regime e teve várias edições censuradas. Este não foi o caso do grupo Frias, que tornou a Folha da Tarde “uma filial da Operação Bandeirantes”, a temida Oban, e no jornal de maior “tiragem” do país devido ao grande número de “tiras” (policiais) na sua redação [10]. Também não foi o caso da Rede Globo, que ergueu seu império graças ao irrestrito apoio à ditadura [11]. 
Até quando a ditadura já dava sinais de fraqueza, a TV Globo insistiu em salvá-la. Nas eleições de 1982, a corporação de Roberto Marinho montou um esquema, através da empresa Proconsult, para fraudar a apuração dos votos e evitar a vitória do recém-anistiado Leonel Brizola. 
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P.S. - Ministros, bom sono!

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