28/02/2011

BIBLIOTERAPIA

Do Valor Online, via blog do Favre

AP“La Lecture”, de Picasso: “Sabemos que o poder da boa literatura é profundo e transformador, mas não nos advogamos como médicos. Somos doutores de livros!”, ressalta a britânica Ella Berthoud

A cura pela leitura

Literatura: Um ramo tanto da biblioteconomia quanto da psicologia, a biblioterapia vem ganhando adeptos no Brasil.

Mariane Morisawa | Para o Valor, de São Paulo

Um relacionamento que termina é sempre um motivo de tristeza ou de pausa para repensar a vida. Para superar a fase difícil, que tal um bom livro? “Flashman”, de George MacDonald Fraser, sobre um soldado britânico pouco recomendável, condecorado por heroísmo, pode distraí-lo de sua autopiedade. “Do Amor”, de Stendhal, pode auxiliá-lo a lidar com a melancolia, e “As Consolações da Filosofia”, de Alain de Botton, pode servir mesmo de consolo. Acabou de perder o emprego? Dureza, mas não se desespere! Uma boa pedida é rir com o conto “Bartleby”, de Herman Melville, sobre um empregado que recebe a solicitação para fazer uma coisa e diz preferir não fazer, mas estranhamente continua dia e noite no escritório. Já quem sofre pelo luto pode encontrar suporte em “Uma Comovente Obra de Espantoso Talento”, de Dave Eggers, baseado na história do próprio autor, que perdeu os pais jovem e precisou cuidar do irmão, ou “Metamorfoses”, de Ovídio, que descreve as transformações de todas as coisas, da vida à morte.

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Confio na presidente(a) Dilma, mas não é disso  que gostaria de falar agora,,,,..arte por favor,,,kd minha obra,...até agora não a terminei ou conclui,,...ou fiz,,,ou será que ela(a arte ou obra) já está pronta, sendo necessário apenas apreendê-la

Não gostei do texto que estava aqui, por isso o apaguei

Quanto a imagem que restou...

Calma gente, só política de aproximação entre os bichos, o jacaré não come o pássaro que aqui está para limpar a boca do bicho,
O pássaro se chama de "pássaro palito' por causa da tarefa que desempenha, ele me lembrou a Dilma no aniversário da Folha, por sinal é até lilás, deve ser uma pássara kikikikiki

Troquei de nome, não sou mais IV Avatar do Rio Eufrates ou Rio Meia Ponte e sim "D"

Agora sou D, clique aqui

Comentário

A arte inundada


Uma obra de arte minha no LNO, onde agora sou D, não um personagem mas uma marca, a marca D, personagem ou marca, tanto faz, saiba mais
Aliás, o spin não é um personagem ou marca mas um sistema
Em se falando em D, eu nem havia percebido que o Luis Nassif havia postado minha obra por lá, só me dei conta hoje, nem sei porque, ah sim, ao procurar os nomes dos mortos para ressucitá-los, apenas os nomes bons, gente ruim será enterrada prá sempre, como aquele spin governante alemão que matou milhões por serem diferentes deles que, por sinal, não se aproximava ou chegava e, portanto, não conhecia, tinha preconceito, ele era um spin limpinho ou perfeccionista neurótico
Não ao perfeccionismo, as raças não existem, todos os gens são iguais, muda apenas a cor da pele, uns tem a cor preta, outros branca ou amarela, isto não importa, o arco-iris é lindo

Atualização - 21:00



Eduardo Anizelli/Folhapress

Alegorias saem do barracão da escola de samba Pérola Negra (zona oeste), que ficou inundado depois da chuva que atingiu a cidade de SP ontem à tarde

27/02/2011

Como pude ser tão relapso

Agora vejo, não fui em mesmo á palestra do Yuri Firmeza, que eu havia programado para o celular me avisar como forma de esquecer, não fui
Esqueci, agora sei, o celular estava no silencioso
Esquecimento ou misantropia ou aversão à arte
Onde eu estava mesmo
Falta de idéias ou obras é que não foi
Afinal de contas, desde o dia em que o Carlos Sena me avisou, tive um milhão de idéias, obras prontas, aceitáveis ou não, elas brotatam, seja em estado de vigilia ou dormência
Apenas não as executei ou olhei ou fui
Como pude ser tão relapso
Agora sei, me lembrei ou sonhei ou olhei ou fui várias obras
Uma intitulada "Na Internet" ou "Da Internet",
Não me lembro ao certo o título, cheguei a anotar em algum lugar como forma de não esquecer
Se bem que eu deveria tê-la realizado ao invés de apenas agendá-la
Ah,  um dos dois(temas), devo ter anotado em algum lugar
A mulher na rodoviária, esta obra vi ao vivo, a realizei ou filmei mas o mlk que trabalha no cyber a deletou por se achar por demais expert no assunto
Não havia mesmo como me inscrever no Salão, tudo conspirou no sentido da minha ausência
Outra obra incompreendida ou não realizada: o gato misantropo
Retornei ao local para saber o desfecho da história
Para quem não sabe, um gato que se escondeu no céu para não ser visto
É bem provável de que tão alto ele ocultou-se no topo daquela árvore, tenha morrido
Não sei  o que aconteceu, não pude entrar, o Parque Mutirama foi fechado para reforma
Quem sabe, no momento aberto
Vou lá

Uma guinada em direção à arte

O Carlos Sena, spin professor, humano, enviou-me, via email e orkut, esta mensagem
Não sei como começar esta postagem, vou tentar, a história é longa
Poste em construção, volto depois: 11:05, domingo..
11:08 - meu deus, que covardia da minha parte, vi agora na mensagem do Carlos Sena, amanhã é o último dia de inscrição
Onde eu estava para não ter feito minha obra, uma apenas!!!!!
Para se inscrever é ncessário apenas uma obra e eu, nenhuma!!!!
Não tem o menor cabimento
Onde eu estava
?????????????????
Link para a imagem: http://br.olhares.com/cuitelinho_foto3718911.html

26/02/2011

Deixem a mulher trabalhar!!!

Há muita gente apostando na quebra desta relação de confianças entre Dilma e seu eleitorado

O mesmo espírito conciliatório adotado por Lula durante seus 8 anos de mandato, muita gente confunde isso com medo ou traição aos seus ideais

Agora me digam se é possível uma ruptura, Heloisa Helena saiu e criou o PSOL pq Lula não adotou a ruptura que ela esperava

Com Dilma será a mesma coisa, e não creio que se chegará ao ponto de se repetir o processo chileno, as promessas de campanha serão cumpridas,  as políticas, que são as mesmas de Lula, serão adotadas, só muda o estilo

Há muita gente torcendo para que haja uma crise de confianças entre Dilma e seus eleitores ou entre Dilma e Lula que, por sinal, almoçaram juntos ontem

É o que dizem meus botões

Esta desconfiança....já vi este filme antes, quando Erundina era prefeita, começou assim, nas bases, aí começou um processo sem retorno, o PT censurando-a até desaguar na sua saída.
O crime que alegavam Erundina cometer: administrativismo
Diziam que ela se preocupava por demais em sanear as contas, em seguida veio o nada administrativista malufismo e deu no que deu
Parem com esta desconfiança sem motivo, estou me referindo ao que tenho visto por aí, na blogosfera, uma verdadeira paranóia, Dilma foi não sei aonde, vai na Hebe, o mundo vai cair,  deixem a mulher trabalhar!!!

Este assunto começou aqui

25/02/2011

Encontrando Bianca, a campanha contra a homofobia nas escolas


O MEC está com um projeto para combater a homofobia nas escolas e lançou um kit, o qual provocou reação em meios a alguns lideres religiosos.
Faz parte do kit um DVD contendo um vídeo com o depoimento de um personagem transexual
Este vídeo é o que mais causou reações, que mesmo não tendo ainda sido distribuido, já provoca polêmica.
Quase não localizei este vídeo sem edições, uns vem com reprovações de Jair Bolsonaro, outros com os xingamentos de Silas Malafaia, até o Ratinho
Francamente, não achei nada demais.
Fiz uma pesquisa no Google e vi alguns textos,  uns se referindo a um rapaz que pintava as unhas, ao ver o vídeo original vi que se trata de um jovem transexual, portanto nenhum problema, pois o fato é real, eles são sim vítimas de violência na escola, são impedidos de estudar por causa das sessões de  tortura(buillyng)
Assista ao vídeo e tire suas próprias conclusões
.
Este assunto começou no Luis Nassif Online
Para saber mais clique aqui

24/02/2011

A mudança


Esta foto fez lembrar-me uma passagem da minha infância
Para saber mais, leia estes comentários sobre a mesa

Comunicação: parlamentares querem reunião com entidades do setor

Meu comentário

Amigo(a), faça com que o deputado no qual vc votou participe desta luta pela democratização da mídia, uma guerra a ser travada pela sociedade, no Cogresso Nacional e não exatamente no Palácio do Planalto, pois que não cabe a presidente(a) este tensionamento.
          


Deputados reúnem-se para discutir a criação de frente parlamentar para democratização da comunicação (Foto: Divulgação) 

Por: Virginia Toledo, Rede Brasil Atual
  
Foi discutida nesta terça-feira (22) a criação da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação com Participação Popular na Câmara dos Deputados. A deputada Luiza Erundina (PSB/SP), que articula a criação da frente, explicou que o grupo será uma ponte entre os interesses da sociedade civil organizada e o parlamento, no que diz respeito à democratização da comunicação no país.

O próximo passo será a realização de outra reunião com deputados federais e representantes de organizações da sociedade civil para definir as iniciativas com vistas ao lançamento oficial da Frente e definição da data do evento.

A democratização da comunicação, a liberdade de expressão e o fim do monopólio dos meios de comunicação no Brasil, serão os principais temas a serem debatidos pelos parlamentares.

"Vamos trazer para este debate todas as entidades que militam em prol da democratização da comunicação e da liberdade de expressão no país. Queremos acompanhar e influenciar o processo de debate dentro da Câmara, sobre o novo marco legal das comunicações", defendeu Erundina.

"Estamos muito atrasados nos aspectos da comunicação no Brasil. Temos uma legislação que data de 1962. Desde então, ocorreram profundas transformações no campo das comunicações no Brasil e no mundo. Precisamos atualizar a nossa legislação para assegurar a liberdade de expressão e a democratização do direito à comunicação", afirmou o deputado Emiliano José (PT/BA), que organiza a formação da frente.

http://www.redebrasilatual.com.br/multimidia/blogs/blog-na-rede/deputados-articulam-criacao-de-frente-parlamentar-para-debater-marco-regulatorio-da-comunicacao/view

Aqui um ótimo áudio sobre os 90 anos da Folha, muito bom, na Rádio da Rede Brasil Atual

Rádio debate o papel da Folha de S. Paulo na ditadura

A Rádio Brasil Atual realizou um debate sobre os 90 anos da Folha de São Paulo e a ligação do jornal com a ditadura militar. Participaram da conversa com Oswaldo Luiz Colibri Vitta, Eduardo Guimarães, do blog da Cidadania e Sérgio Gomes, da Oboré. 
Para ouvir clique aqui 

Muito boa esta rádio web, ouça isso também, sobre a situação na Líbia, como a situação lá se agravou nas útlimas horas, com probalidade de milhares de mortos, vale a pena ouvir, clique aqui



Atualização - 24/02/2011

E o assunto "ida da Dilma à Folha"  varou a noite novamente, clique aqui para ler


23/02/2011

Dilma e a Mídia

Sobre a polêmica ida de Dilma ao aniversário de 90 anos da Folha
Obama esteve recente na Fox New e elogiou a emissora com estas palavras, que lembram as usadas por Dilma, a entrevista começou assim:

BILL O’REILLY, ANFITRIÃO, “THE O’REILLY FACTOR”:   Sr. Presidente, obrigado por nos conceder esta entrevista. E preciso agradecê-lo em nome do canal Fox News  por ajudar Greg Palkot e o Sr. Wiig que foram maltratados no Cairo. Foi o senhor, foi Robert Gibbs (secretário de Imprensa) e o Departamento de Estado que realmente os salvaram e nos agradecemos muito.


"BARACK OBAMA, PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS: Olha, aqueles caras mostraram uma grande coragem, como muitos jornalistas pelo mundo afora. E assim não foi só importante para nós, assegurar que eles fossem salvos para eles e suas famílias, mas também assegurar o princípio básico do discurso livre e a liberdade da imprensa. Este é um valor universal que nós cuidamos. E eu sei que a Fox cuida disso. Então, estou feliz que estes caras…

http://claudiomafra.wordpress.com/2011/02/12/imperdivel-entrevista-de-obama-na-fox-news-video-e-traducao/.

Todo mundo sabe que Obama odeia a FN e, no entanto, a elogiou, embora já tenha criticado abertamente a emissora.
Aqui ou nos EUA, esta não ao governo desencadear esta tensão, muito pelo contrário, tem que haver distensão entre as duas partes.
Guerrear cabe a nós e, sim, estamos fazendo isso, inclusive agora ao criticarmos o encontro.
Só espero que o tal encontro não signifique ruptura da nossa parte para com Dilma,  o que a velha mídia mais quer.
É bastante provável que a ida da presidente(a) à Folha pode ser mais  orientação da Helena Chagas, Secretária de Comunicação da Presidência, do que coisa de Palocci ou José Eduardo Cardoso, ministros da presidente(a), como dizem por aí.
Um fato que me chamou a atenção a troca de fotografias no Blog do Planalto, e até nisso percebi que Dilma não quer mesmo guerrinha com a velha mídia: a primeira foto para ilustrar o artigo, esta abaixo, onde o Otavinho aparece de cara amarrada ao lado de uma sorridente Dilma,foi substituida por outra, onde Dilma aparecende discursando no evento.

Talvez a substituição não tenha sido feita por outro motivo qualquer, no entanto estou dando este significado à troca de imagens: Dilma não quer mesmo guerrear.




Obama já criticou e odeia a Fox News?
Sim.
A Fox News ama Obama?
Não?
No entanto o presidente americano teceu rasgados elogios à emissora.
Qual o problema?
Não cabe ao governo esta tensão, nem mesmo Lula quis isso, e se o ex-presidente gostava de ir aos eventos da Carta Capital, quando pode, também esteve na Globo, Folha, Estadão, enfim, o esforço dele(Lula) era grande no sentido da paz entre as duas partes, apenas não conseguiu, cabe a Dilma tentar.


Espero que o gesto de Dilma não nos leve a abandonar a trincheira, pois é isto o que a velha mídia quer.
Mesmo no período Lula, a Conferência da Comunicação foi realizada por causa da pressão popular, cabe a nós este lutarmos por mudanças no setor.
Esta tensionamento cabe a nós aprofundarmos.

Atualização - 20:30

E o assunto "Dilma na Folha" varou a noite, clique aqui para ler

22/02/2011

Rio Eufrates ou Nenhuma gota de sangue!!!!

Por conta de uma pergunta feito pelo professor Marcos da Costa Brava descobri que o Rio Eufrates está morrendo, continue lendo

Clipping: Mr Gay, expulsão da senadora Serys, Dilma na Folha,,,o dia de ontem foi bem agitado,,..o blog do Nassif fora do ar devido a uma saraivada de raios sobre o servidor,...eu heim,...saravá!!!!!

Catarinense Eduardo Kamke é novo Mr Gay Brasil


Natural de Joinville, residente em Florianópolis, o analista de RH da Phillip Morris, 29 anos, virginiano é o novo Mr Gay Brasil.

Atualização - 23/02/11
Publiquei a foto do Edu no LNO, veja aqui as melhores fotos de de ontem e de hoje


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Veja essa,,, dizem meus botões que é inveja de gente sem voto que quer expulsar a senadora Serys,
Interesse coletivo é que não deve ser,
Puro capricho pessoal de figurinhas


Executiva do PT discute hoje processo de expulsão de Serys do partido

Por Só Notícias

A executiva estadual do Partido dos Trabalhadores deve se reunir, hoje à tarde, para iniciar as discussões sobre o processo de expulsão da ex-senadora Serys Slhessarenko, do vereador Lúdio Cabral e outros quatro ex-candidatos nas eleições de 2010, que foi pedido por alguns integrantes do partido. Eles são alvos de seis representações ingressadas, na semana passada. O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e membro do partido, Júlio Vianna, é o autor da ação contra Serys. As acusação são de não apoiar a então candidato ao Senado do ex-deputado federal Carlos Abicalil.

Após aprovado o pedido de expulsão deste membros, o caso será repassado para a Comissão de Ética do partido que ficará de analisar e dar um parecer sobre a situação dos filiados. Nesta fase, eles poderão apresentar a defesa sobre as acusações. Depois deste trâmite, o caso será colocado em votação e será decidido se eles serão expulsos ou não.

Além de Serys e de Lúdio, são alvos de expulsão a ex-deputada estadual, Vera Araújo, também integra a lista composta ainda dos ex-candidatos José Lemos Neto, o Juca Lemos; Eroisa Melo e Juci Maria, conhecida como Juci da Eletronorte. Os petistas responderão por infidelidade partidária. Um dos pontos questionados se refere a constatação, segundo as representações, da "falta de inserção do número e do nome do candidato Carlos Abicalil no material de campanha eleitoral dos candidatos listados. Em relação a ex-senadora, o texto ressalta o agravante de ela supostamente ter feito campanha contra Abicalil inclusive tendo utilizado o jargão "vou de taxi", que sugeria seu apoio ao adversário na disputa ao Senado, Pedro Taques (PDT).

Por outro lado, a ex-senadora ironizou a atitude do grupo liderado pelo presidente do PT no Estado, Saguas Moraes, e Abicalil, em encaminhar somente agora seu pedido de expulsão da sigla - juntamente com os demais filiados que integram o seu grupo e que foram candidatos nas eleições passada. "Agora? Cinco meses depois? Por que só agora? De que eles têm tanto medo? Eu não sou mais nada. Quer me parecer um ato de pura covardia. Afinal, por que esperaram tanto tempo?".
http://www.mteseusmunicipios.com.br/NG/conteudo.php?sid=44&cid=18758
..
 Dilma na Folha:
Gostei mesmo foi da carra de bode amarrado do Otavinho ao lado da descontraída DilmaQue  anfitrião da cara das mais amarradas, que amuo é ésse Otavinho!!!!!

Quanto a minha opinião, divergente de muitos blogs que sigo, é a de que sou a favor desta distensão que vem sendo promovida pelo Planalto, o importante é que as políticas públicas sejam implantadas

21/02/2011

Relato de sonho desta noite: IV Avatar do Rio Eufrates

E por conta deste sonho muita coisa vai mudar por aqui, sinto isso, pois trata-se de um personagem, ainda não sei, algo a ver com a reconstituição das coisas, gêmeos: IV Avatar do Rio Meia Ponte e IV Avatar do Rio Eufrates,
Nesta noite sonhei com um sósia de Carlos Sena, eu cheguei a um ponto de ônibus em frente ao Centro Cultural da UFG e  ele estava esperando a condução, jurei que era ele, depois com aproximação vi que não, que era outra pessoas, só que bastante semelhante, spin sósia ou gêmeo
Este sonho sobre sósias, deve ser por causa desta porção que tenho, de blogs gêmeos, preciso considerar tais páginas como acabadas, embora não venha a ser este o caso,
No entanto, na reformatação todos os sítios que não este serão considerados como encerrados ou esquecidos como encerrados,
Outros deletei, como o A História de Idéia, tabmém o Curandéia
Ainda não sei o que farei com o personagem que criei ontem, o IV Avatar do Rio Eufrates
Segue link para postagem do IV Avatar do Rio Eufrates no LNO
Nesta noite sonhei ou olhei ou fui uma jovem anunciando no seu orkut que seria decapitada em poucas horas, notícias do Rio Eufrates,
Uma serpente carregando o filhote na boca,
Água formando um desenho
O desenho acima é meu, uma interferência, o  Rio Eufrates como o único espaço, o rio por inteiro
Uma história bem longa, quem sabe depois retorno ao asusnto
Fui
,,..
Atualização - 22/02/2011

Bem lembrado Marcos, ao que tudo indica o SM de 2012 terá um bom aumento, mas não porque a oposição quer, Dilma quer, aí vem o Globo com esta piléria de oposição no STF pelo SM de 2012, tenha a santa paciência,  coisa de milicia
E falando em milicia, o crime organizado tem forte enlace com políticos, isto ocorre em todos os Estados,  ontem ao usar uma postagem sobre um tema idêntico para tratar disso a nível nacional, trupiquei no texto, tambem pudera, ontem foi o primeiro dia Rio Eufrates na Terra, e, como é normal ocorrer quando os avatares descem ou parte,  provedores de internet sendo alvejado por raios, sobrou até para o LN,  estas coisas imponderáveis entendi  o clima carregado,  muitas tempestades, terremotos, nervosismos,  gente sendo dominada ou levada ou inspiradas por personagens, temos que ter controle sobre estes avatares que incorporamos ou olhamos ou somos, não podemos permtir esta falta de cotrole  das pessoas sobre si mesmas, quando falo "si mesma" estou me referindo à incorporação de personagens, não se pode permitir que um personagem mande sobre nós mesmos, eles são terríveis, tem poderes, estes assassinatose e furtos,
Eu mesmo achei esquisito o texto mas depois me expliquei, a conferir
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-financiamento-politico-e-as-milicias-cariocas

20/02/2011

Goiânia sedia mostra do Prêmio CNI SESI MARCO ANTONIO VILAÇA

Caros amigos,

conto com a presença de vocês para celebrarmos a honra de Goiânia sediar a mostra do Prêmio CNI SESI MARCANTONIO VILAÇA Artes Plásticas 2009/10

atenciosamente,

Carlos Sena

Uma postagem minha no LNO

Flávio de Carvalho, o rebelde da Bienal




Outro nome que não pode falta nesta Bienal é o Flávio de Carvalho, isto se quiserem falar de conexão, inteface, ampliação, sinapses
O FV é aquele que, enquanto a própria mãe morria realizou a obra "Minha Mãe Morrendo"
Flávio de Carvalho (Barra Mansa, 1899 - Valinhos, 1973) foi um dos grandes nomes da geração modernista brasileira, atuando como arquiteto, engenheiro, cenógrafo, teatrólogo, pintor, desenhista, escritor, filósofo, performer, flashmobist, músico e outros rótulos. (Wikipedia)
Eu incluiria aí o rótulo de fashionista
Para ir à postagem na íntegra clique aqui

Bienal vai homenagear Bispo do Rosário


Bienal de SP vai homenagear Bispo do Rosário em 2012

FABIO CYPRIANO
EM MADRI

Arthur Bispo do Rosário (1911-1989), marinheiro que foi interno de um hospital psiquiátrico e nunca produziu obras para o circuito das artes, será um dos artistas centrais da 30ª Bienal de São Paulo, em 2012, adiantou à Folha, anteontem, o curador Luis Pérez-Oramas.

"O que me interessa no Bispo do Rosário é que ele foi uma figura periférica, cuja obra está centrada na invenção da linguagem", disse Oramas, no café do Circullo de Bellas Artes, em Madri. Para ele, uma das questões centrais de sua Bienal será discutir os limites da arte.


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Meu comentário

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Não sei por onde começar...

O assunto "horizonte ampliado" é bastante complexo e corre o risco de ser confundido com algo obtuso por ser aberto demais, no entanto seria bom se encarássemos o assunto, durante um Forum Social Mundial a cidade de Belém virou campo ampliado, o mundo convergiu para lá, havendo um caminho inverso, pois via infovias a cidade se ampliou em direção ao mundo, no meio os internautas

Mundo digital, ampliação, expansão...

A salada contêm bastante ingredientes e Waldemar Cordeiro tem a ver com isso, inclusive o debate sobre o campo ampliado começou com a arquitetura sendo ampliado no sentido do paisagismo, da escultura, da política, da literatura, da arte, etc

E Waldemar Cordeiro foi tudo isso.

Dissertação de mestrado "Paisagismo Contemporâneo - Estratégias para o projeto de Prraças.  Cláudio Estêvão Bergamini/Universidade Federal de Alagoas

"Waldemar Cordeiro - Roma - Itália 1925 - São Paulo - Brasil - 1973 . Pintor, escultor, paisagista,  designer e crítico de arte. Transfere-se para São Paulo em 1946. Em 1949 integra a Mostra do Figurativismo ao Abstracionismo, exposição inaugural do MAM - SP. Participa da I Bienal de SP, em 1951. Compõe o Grupo Ruptura,juntamente com Geraldo de Barros. Lidera o Movimento Concreto em SP. Expõe em Paris, em 1969,  no Salon Grands et Jeunes d´Ajourd´hui  e no Salon Comparaisons. Introduz a computer art no Brasil em 1970."

Para ir à postagem na íntegra clique aqui

19/02/2011

O que você quis dizer com esta pintura?


Por Rogério Martins/LNO
 

Eu sou pintor e as vezes me encontro  com algumas opiniões sobre o que é arte, bem interessantes.
a mais clássica é: "o que você quis dizer com esse trabalho?" ou então, essa do "isso até eu faço!".
Bom, para que entendam rapidamente a questão, sem ter que aprofundar nem fundamentar meus argumentos em simiologia, linha do tempo, estética, harmonia e composição eu digo o seguinte:
"o que você quis dizer com esse trabalho?"  A pergunta sempre vem acompanhada da necessidade de que se verbalize a obra, que ela tenha conteúdo literário, daí respondo: nada! Quando eu for dizer alguma coisa eu vou escrever um livro de poema ou prosa. Daí concluo dizendo que o meu trabalho é uma provocação ao que a pessoa em questão pensa, vê, percebe e sente. Aproveito para dar um exemplo e uso para tal a musica instrumental. Ela não diz nada, não tem vocabulário mas te faz sentir alguma coisa quando você a ouve. Você gosta ou não, mas de qualquer modo, ela não deixa de provocar em você sentimentos e sensações e com a arte (inclusive a que não se "entende") é do mesmo modo.
Sobre a expressão "isso ai até eu faço" sou mais economico e respondo: então porque não fez? Agora já está feito! Nesse caso nem entro nas questões teoricas e tecnicas da questão.
Para ir à postagem clique aqui

A discussão sobre arte contemporânea

Por Sérgio Martins/no blog Luis Nassif Online

comentário no post "O recorde de Adriana Varejão"

Nossa, não sei nem por onde começar...

Vai ser por aqui: todo mundo tem direito a achar o que quiser baseado única e exclusivamente em seu gosto pessoal. Daí para ser válido trazer isso como contribuição para um debate público são outros quinhentos. Portanto, quem opina apenas com base em argumentos tipo 'meu filho faz isso' deveria ter vergonha de vir a público exibir uma visão tão tacanha de fenômenos culturais. Ou então voltar para a faculdade fazer aula de semiologia I para entender de sistemas de significação e valoração.

Continuando: a notícia em questão é sintomática, claro, de uma contradição existente nas artes visuais. São objetos únicos que por isso alcançam o estatuto de bens de consumo de luxo. Isso torna a reflexão estética neles articulada inválida? Não. A arte não tem a função de dar respostas unívocas (como responder simplesmente ao gosto individual de fulano ou sicrano). Se existe algo de válido em arte contemporânea é o risco da linguagem. Os que se chocam e acham tudo uma porcaria porque um trabalho afronta seu senso comum estão replicando o comportamento dos súditos do PIG que olham para os de esquerda e dizem 'nossa, que gente anacrônica'.

Não digo isso para defender a arte da Adriana Varejão ou de qualquer outro. Digo apenas para frisar que é necessário pelo menos tentar entender as condições de articulação de uma poética para se pensá-la. Mesmo que seja para discordar de um trabalho e dos valores nele contido, mas para fazê-lo com propriedade e inteligência, de forma a contribuir para uma tomada de posição estética (e muitas vezes ética). Eis o que falta aqui: encarar corajosamente a incerteza. Para endossar, para discordar, para debater... não importa, sem aceitar a diferença como motor da reflexão, não se opera mudança. Sejam mais dialéticos e menos moralistas, por favor.

Para ler a postagem na íntegra clique aqui

Meu comentario,

http://2.bp.blogspot.com/_Z1WKB-RA34g/TS7YfRwgqxI/AAAAAAAABls/7yBY9qKKTPw/s1600/12b.jpg
"Eis o meu segredo: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos. Os homens esqueceram essa verdade, mas tu não a deves esquecer. " (Antoine de Saint-Exupéry)

P.S.- perceba que não há cor na rosa, no entanto pense, pq não, claro que existe cor, é vermelha, está por trás da sombra, consigo ver e até sentir o perfume, cabe a nós este exercício, fazer com que as coisas não tenham que ser sempre óbvias

Uma postagem minha no Luis Nassif Online


Por IV Avatar do Rio Meia Ponte

Video da entrevista com Beatriz Milhazes no GN
13/12/2010
A consagrada artista plástica carioca Beatriz Milhazes falou sobre o momento importante que ela e outros artistas latino-americanos estão vivendo. Ela acredita que está superando barreiras.
Para ir ao post clique aqui 

17/02/2011

A arte contemporânea

O recorte de Adriana Varejão,,,quer dizer,  o recorde de Adriana Varejão

Por Luis Nassif, em seu blog

A tela Parede com Incisões à La Fontana II, de Adriana Varejão, foi vendida pelo preço recorde de US$ 1,7 milhão para artista brasileiro contemporâneo e vivo. Esperava-se algo entre 300 a 400 mil dólares.

Meu comentário

Lucio Fontana rasgando a tela para completar a sua obra que transcende a tela adquirindo uma tridimensionalidade. Foto de Lothar Wolleh


Para ler a postagem na íntegra clique aqui

A família contemporânea

A família mudou de formato. Na foto o casal Elton Joh e David Furnish com o filho
A cara do pai, não é mesmo,  este   começou aqui 

A geração pós-islamita



Postado por  ra_quel, no LON
(...)
A geração pós-islamista
Sempre útil, em situações críticas como essa, voltar-se para um dos principais especialistas ocidentais em Islã político: Olivier Roy, diretor do Programa Mediterrâneo do Instituto Universidade Europeia em Florença.
Roy, escrevendo no Le Monde, é um dos raros especialistas que propõe que esteja em curso no Oriente Médio uma revolução pós-islamista. Essencialmente, pode ser tomada como uma refutação da fala de Khamenei: os jovens, analisando as conquistas da revolução islâmica no Irã, concluíram que não resolve os problemas objetivos de pobreza, corrupção, mentiras do poder e crescimento econômico medíocre.
A geração pós-islamista é secular (separação entre política e religião); é pragmática;  é não-ideológica; e é nacionalista (sem nacionalistas fanáticos). É pluralista e individualista. Rejeita ditaduras corruptas – e rejeita o islã como ideologia política – e anseia por democracia. Para eles, nem o panarabismo parece sedutor. Cultivam valores universais.
(...)

Para ler o texto na íntegra clique aqui

16/02/2011

Júlio Cortázar




Tercer Mundo

Júlio Cortazar e João Ricardo


URL
http://www.youtube.com/watch?v=9eUYLzhr56g







Mais sobre os Secos & Molhados clique aqui

15/02/2011

A confusa história moderna do Egito tem a ver com Cleópatra


Gente, esta aí da foto é a Cleópatra ou uma representação moderna
Fiquei em dúvida
Ela(Cleópatra)  era o que mesmo, rainha, prostituta, artista...
Era de onde mesmo....
Era de que cor
Esta falta ou excesso de identidades de Cleópatra explica o Egito de hoje,
Cleópatra do ponto de vista da ciência:

Des-orientar Cleópatra: um tropo moderno da identidade*

Disorienting Cleopatra: a modern trope of identity


Ella Shohat
New York University, Nova Iorque, Estados Unidos. es100@nyu.edu


RESUMO
Este artigo propõe um estudo da representação de Cleópatra ao longo do século passado, situando o debate sobre sua aparência e origens no âmbito da dominação colonial, das lutas anti-coloniais e das fricções raciais pós-coloniais que, como se tenta mostrar, acrescenta uma outra dimensão para entender o investimento na identidade de Cleópatra.
Palavras-chave: Cleópatra, Gênero, Raça, Pós-Colonialismo.

(...)

Cleópatra entre o eurocentrismo e o afrocentrismo
 
A avó de Cleópatra era uma concubina; sua mãe não é conhecida. Dadas as incertezas de sua ascendência, um pesquisador estimou que seu sangue tinha 32 partes de grego, 27 partes de macedônio e 5 partes de persa. É uma estimativa razoável. Se era negra, ninguém o mencionou.2

Ao longo das últimas décadas, Cleópatra foi tema de aceso debate sobre sangue, raça e origens. Embora muitos textos reconheçam a impossibilidade de estabelecer plenamente suas origens, a maioria dos autores continua a fazer afirmações fortes. Investimentos científicos e artísticos numa particular aparência de Cleópatra sugerem que sua figura se transformou num lugar metafórico das lutas raciais contemporâneas, especialmente no "Ocidente" pós-colonial.
 
Dentro da geografia da modernidade, as cansadas dicotomias Oriente contra Ocidente, África contra Europa, e Negro contra Branco continuam a informar o modo como as civilizações antigas são diacriticamente construídas. Estabelecer que ela foi negra, africana e egípcia, de um lado, ou que foi branca, greco-macedônia e européia, de outro — é visto como um tento para cada um dos lados nas "guerras culturais". Visíveis nos meios de comunicação de massa, esses debates carregados misturaram-se muitas vezes com o enfrentamento relativo ao surgimento do afrocentrismo como campo acadêmico.


Em 1991, por exemplo, Newsweek dedicou algumas páginas à questão da negritude de Cleópatra como parte de sua revisão do destaque afrocêntrico das realizações africanas em termos de civilização. O projeto afrocêntrico re-situou o Egito no terreno da civilização africana, argumentando que o Egito fora "roubado" da África, e situado no oriente próximo por eruditos do século dezenove cujo racismo os impedia de creditar realizações monumentais como a construção das pirâmides aos africanos.

A posição geral da Newsweek deixava implícito que tais reivindicações afrocêntricas, e particularmente aquelas que afirmavam que a civilização européia em realidade derivava da África, eram ignoradas ou negadas pelos pesquisadores ocidentais. A revista concluía com um quadro de perguntas e respostas que perguntava se os egípcios eram negros e respondia que o Egito era o lar de negros, asiáticos e semitas, mas que Cleópatra "era provavelmente grega".

Embora aceitasse a negritude parcial do Egito, a matéria da Newsweek parece sugerir, à maneira eurocêntrica, que a civilização grega evita a questão negra, ou, mesmo, que "grego" implica automaticamente "brancura".3

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13/02/2011

Hoje é aniversário da Semana de Arte Moderna de 22



Em 1942 Mário de Andrade publicou no Estadão este relato por ocasião do vigésimo aniversário da Semana de 22, ele diz que não sabe ao certo como pode estar lá, diante das vaias, dos xingamentos, imagino só, os mauricinhos vaiando Villa Lobos e tantos outros que foram visto naquele momento como um bando de marginais, mas é assim mesmo, se incomodou é pq estavam no caminho certo, estes comportamentos, esta tensãos entre o atraso e o progresso permanece presente, mais do que nunca,  nos dias de hoje, o que torna bem atual este texto de Mário de Andrade, publicado no Estadão,  1942:



Autor de Macunaíma conta a origem da Semana e o contexto em que surgiu, neste artigo de 1942

Mário de Andrade: o Movimento Modernista


Em fevereiro de 1942, para comemorar o 20º aniversário da Semana da Arte Moderna, Mário de Andrade publicou, em O Estado de S. Paulo, estes quatro artigos onde faz um balanço do movimento.

Por Mário de Andrade


Capítulo 1

Faz vinte anos, este mês de fevereiro, que se realizou no Teatro Municipal, a Semana de Arte Moderna.



É todo um passado longínquo de que sorrio sem medo, mas que me assombra um pouco também. Foi gostoso, ficou bonito, mas como tive coragem para participar daquilo! É certo que com minhas experiências artísticas muito venho escandalizando essa minoria que é a intelectualidade do meu país, mas, na realidade, feitas em artigos e livros, minhas experiências como que não se executam in anima nobile. Não estou de corpo presente e isso desencaminha o choque da estupidez.

Mas como tive coragem para dizer versos ante uma assuada tão singular, que eu não escutava do palco o que Paulo Prado me gritava da primeira fila das poltronas?... Como pude fazer uma hórrida conferência na escadaria do teatro, cercado de anônimos que me caçoavam e ofendiam a valer?...

O meu mérito de participante é mérito alheio: fui encorajado, fui enceguecido pelo entusiasmo dos outros. Apesar da confiança, absolutamente firme que tinha na estética renovadora, eu não teria forças para arrostar aquela tempestade de achincalhes. E se agüentei o tranco foi porque estava delirando. O entusiasmo dos outros me embebedava, não o meu. Por mim teria cedido. Digo que teria cedido, mas apenas nessa parte espetacular do movimento modernista. Com ou sem a Semana, minha vida intelectual seria o que tem sido.

A Semana marca uma data, isso é inegável. É uma data que envaidece recordar.

Mas o certo é que a preconsciência primeiro, e em seguida a convicção de uma arte nova, de um espírito novo, desde pelo menos seis anos viera se definindo no... sentimento de um grupinho de intelectuais, aqui. Do primeiro, foi um fenômeno estritamente sentimental, uma intuição divinatória, um... estado de poesia. Com efeito: educados na plástica "histórica", sabendo quando muito da existência dos primeiros impressionistas, ignorando Cézanne, o que nos levou a aderir incondicionalmente à exposição de Anita Malfatti, em plena guerra europeia, mostrando quadros expressionistas e cubistas? Parece absurdo, mas aqueles quadros foram para mim a revelação. E delirávamos diante do Homem Amarelo, a Estudanta Russa, a Mulher dos Cabelos Verdes. E ao Homem Amarelo eu dedicava um soneto parnasianíssimo... Éramos assim.

Pouco depois, Menotti del Picchia e Osvaldo de Andrade, descobriram Brecheret no seu exílio do Palácio das Indústrias. E fazíamos verdadeiras "rêveries" simbolistizantes em frente da simbólica exasperada e das estilizações decorativas do "gênio". Porque Brecheret era para nós no mínimo um gênio. Este era o mínimo com que podíamos nos contentar, tais os entusiasmos a que ele nos sacudia. E Brecheret ia ser em breve o gatilho que faria Paulicéia Desvairada estourar.

Eu passara esse ano de 1920 sem fazer mais poesia. Tinha cadernos e cadernos de cousas parnasianas e algumas simbolistas, mas tudo acabara por me desagradar. Na minha cultura desarvorada, já conhecia até Marinetti, mas repudiava a maioria dos princípios futuristas, como já escrevera no Jornal dos Debates, de Pinheiro da Cunha. Só então é que descobri Verhaeren, desculpem, e foi o deslumbramento. Concebi fazer um livro de poesias modernas em verso livre, sobre a minha cidade. Tentei, não veio nada que me interessasse. Tentei mais e nada. Os meses passavam numa angústia, numa insuficiência feroz. Será que a poesia tinha se acabado em mim?... E eu me acordava insofrido.

A isso se ajuntavam dificuldades morais e vitais de toda espécie, foi ano de sofrimento muito. Já ganhava para viver folgado, mas o ganho fugia em livros e eu me estrepava em arranjos financeiros temíveis. Estava criando fama de professor bom e fazia esforços para que meus alunos de Conservatório passassem com notas altas. Em casa o clima era torvo. Se mãe e irmãos não me amolavam com as minhas "loucuras", o resto da família me retalhava sem piedade. Tinha discussões brutas em que os desaforos mútuos não raro chegavam àquele ponto de arrebentação que... por que será que a arte os provoca!... A briga era brava e, se não me abatia nada, me deixava em ódio, mesmo ódio.

Foi quando Brecheret me concedeu passar em bronze um gesto dele que eu adorava, uma cabeça de Cristo. Mas "com que roupa"? eu devia os olhos da cara! Não hesitei, fiz mais conchavos financeiros e afinal pude desembrulhar em casa a minha Cabeça de Cristo. A notícia correu num átimo, e a parentada que morava pegado, invadiu a casa para ver. E brigar. Aquilo até era pecado mortal, onde se viu Cristo de trancinha! era feio, medonho!

Fiquei alucinado, palavra de honra. Minha vontade era matar. Jantei por dentro, num estado inimaginável de estraçalho. Depois subi para o quarto, era noitinha, na intenção de me arranjar, sair, espairecer um bocado, botar uma bomba no centro do mundo, nem sei. Sei que cheguei à sacada, olhando sem ver o meu Largo do Paissandu. Ruídos, luzes, falas abertas subindo dos choferes de aluguel. Estava aparentemente calmo. Não sei o que me deu...

Cheguei na secretaria, abri um caderno, escrevi o título em que jamais pensara, Paulicéia Desvairada. O estouro chegara afinal, depois de quase ano de angústias interrogativas. Entre exames, desgostos, dívidas, brigas, em poucos dias estava jogado no papel um discurso bárbaro, duas vezes maior talvez do que isso que o trabalho de arte fez um livro.

Mais tarde, eu sistematizaria este processo de separação nítida entre o estado de poesia e o estado de arte, para a composição dos meus poemas "dirigidos", as lendas, por exemplo, o abrasileiramento linguístico de combate. Escolhido o tema, por meio das excitações psicológicas sabidas, preparar o advento do estado de poesia. Se este chega (quantas vezes não chegou...) escrever sem coação de espécie alguma, tudo o que me chega até a mão - a "sinceridade" do indivíduo. E só em seguida, na calma, o trabalho penoso e lento da arte - a "sinceridade" da obra de arte, coletiva e funcional, mil vezes mais importante que eu...

Quem teve a ideia da Semana? Por mim não sei quem foi, só posso garantir que não fui eu. O mais importante era decidir e poder realizar a ideia. E o autor verdadeiro da Semana de Arte Moderna foi Paulo Prado. E só mesmo uma figura como ele e uma cidade como São Paulo, poderiam fazer o movimento modernista e objetivá-lo na Semana.

Houve tempo em que alguns escritores do Rio cuidaram de transplantar para a Capital as raízes do movimento, estribados nas manifestações simbolistas e post-simbolistas, que existiam por lá. Existiam é inegável. Aqui, esse ambiente só fermentava em Guilherme de Almeida, e num Di Cavalcanti pastelista, "menestrel dos tons velados", como o apelidei numa dedicatória esdrúxula. Mas eu creio ser um engano esse evolucionismo a todo transe, que lembra nomes de Nestor Vítor ou Adelino Magalhães, como elos ou precursores.

Seria mais lógico evocar Manuel Bandeira com o Carnaval. Não. O modernismo no Brasil foi uma ruptura, foi um abandono consciente de princípios e de técnicas, foi uma revolta contra a intelligensia nacional. É mais possível imaginar que o estado de guerra da Europa tivesse preparado em nós um espírito de guerra. E as modas que revestiram este espírito foram diretamente importadas da Europa. Quanto a dizer que éramos antinacionalistas, é apenas bobagem ridícula. É esquecer todo o movimento regionalista aberto anteriormente pela Revista do Brasil primeira fase, todo o movimento editorial de Monteiro Lobato, a arquitetura e até urbanismo (Dubugras) neocolonial aqui nascidos. Isso sim eram raízes engrossadas desde o início da guerra. Mas o espírito e as modas foram diretamente importados da Europa.

Ora São Paulo estava muito mais "ao par" que o Rio de Janeiro. E, socialmente falando, o modernismo só podia ser importado por São Paulo e arrebentar aqui. Havia uma diferença profunda, já agora pouco sensível, entre Rio e São Paulo. O Rio era muito mais internacional, como norma de vida exterior. Está claro: capital do país, porto de mar, o Rio tem um internacionalismo ingênito. São Paulo era muito mais "moderna" porém, fruto necessário da economia do café e do industrialismo consequente.

Ingenitamente provinciana, conservando até agora um espírito provinciano servil, bem denunciado na política. São Paulo ao mesmo tempo estava, pela sua atualidade comercial e sua industrialização, em contato, se menos social, mais espiritual (não falo "cultural") e técnico com a atualidade do mundo.

É mesmo de assombrar como o Rio mantém, dentro da sua malícia de cidade internacional, um ruralismo, um caráter tradicional muito maiores que São Paulo. O Rio é dessas cidades em que não só permanece indissolúvel o "exotismo" nacional (o que é prova de vitalidade do seu caráter), mas a interpenetração entre o rural e o urbano. Cousa impossível de achar em São Paulo, como funcionalidade permanente. Como Belém, o Recife, a Cidade do Salvador, apesar do seu urbanismo rescendente, o Rio ainda é uma cidade... folclórica.

Em São Paulo o exotismo folclórico não frequenta a Rua Quinze. Vive em núcleos mortos, não funcionais, abastardados na separação, Santa Isabel. Carapicuíba. Ora no Rio malicioso, uma exposição com a de Anita Malfatti, podia ter reações publicitárias, mas ninguém se deixava levar. Na São Paulo sem malícia, criou uma religião. Com seus Neros também... O artigo "contra" de Monteiro Lobato, embora fosse apenas uma baladilha zangadinha, sacudiu uma população, modificou uma vida.

Junto disso, o movimento renovador era nitidamente aristocrático. Pelo seu caráter de jogo arriscado, pelo seu espírito aventureiro, pelo seu internacionalismo modernista, pelo seu nacionalismo embrabecido, pela gratuidade antipopular, era uma aristocracia do espírito. Era natural que a alta e a pequena burguesia o temessem. Paulo Prado, ao mesmo tempo que um dos expoentes da aristocracia intelectual paulista, era uma das figuras principais da nossa aristocracia tradicional. E foi por tudo isto que ele pôde medir bem o que havia de aventureiro, de exercício do perigo no movimento, e arriscar a sua responsabilidade intelectual e tradicional na aventura.

Uma cousa dessas seria impossível no Rio, onde não existe aristocracia tradicional, mas apenas sita burguesia riquíssima. E esta não podia encampar um movimento que lhe destruía o espírito conservador e conformista. A burguesia nunca soube perder e isso é que a perde. E aqui foi isso mesmo. Se Paulo Prado, com a sua autoridade intelectual e tradicional, abriu a lista das contribuições e arrastou atrás de si os seus pares e... alguns outros que a sua figura dominava, a burguesia protestou e vaiou. Tanto a burguesia de classe como a do espírito.

É delicioso lembrar que Amadeu Amaral, um dos espíritos mais aristocráticos que São Paulo já produziu, embora retraído pelo muito que o maltratavam alguns de nós, nos via compreensivamente. A ele eu devo o Estado de S. Paulo não ter estraçalhado Paulicéia. Saiu-se de suas ocupações e escreveu ele mesmo a nota sobre o livro, severa mas reconhecendo o direito da experiência.

Em compensação a burguesia semiculta (a aristocracia era inculta: e já irresponsável na sua decadência de então), essa espécie de intelectualidade réptil que abastece as cidades e acaba onde as cidades acabam, com que violência de fulgir e se defender, arremeteu contra nós! Hoje, é irônico evocar os nomes que brilharam lunarmente, iluminados pelo brilho próprio de um estado de espírito coletivo. Tanto os contra como os favoráveis. Destes, os que não desapareceram na poeira de outros caminhos, tornaram-se figuras visíveis da inteligência nacional. Dos contrários, os que tinham valor acabaram aceitando, e muitos aderindo ao movimento renovador. Os outros continuaram pura inteligência de abastecimento urbano. O nome deles acaba onde a cidade acaba.

Capítulo 2

Na verdade, o período "heroico" do movimento que traria tão maior necessidade coletiva às artes nacionais, foi esse iniciado com a exposição expressionista de Anita Malfatti e acabado com a "festa" da Semana de Arte Moderna. Durante essa meia dúzia de anos fomos realmente puros e livres, desinteressados, vivendo numa união iluminada e sentimental das mais sublimes. Isolados do mundo, caçoados, achincalhados, malditos, ninguém pode imaginar o delírio de grandeza e convencimento pessoal com que reagimos. O estado de exaltação gozado em que vivíamos era insopitável. Qualquer página de qualquer um de nós jogava os outros a acomodações prodigiosas, mas aquilo era genial!

E eram aquelas fugas desabaladas dentro da noite, na cadillac verde de Osvaldo de Andrade, para ir ler as nossas obras-primas em Santos, no Alto da Serra, na Ilha das Palmas... E os nossos encontros à tardinha na redação de Papel e Tinta... E a falange engrossando com Sérgio Milliet e Rubens Borba de Morais, chegados da Europa... E a adesão, no Rio, de um Manuel Bandeira... E as convulsões de idealismo a que nos levava o Homem e a Morte de Menotti del Picchia... E o descobrimento assombrado de que existiam em São Paulo, quadros de Lasar Segall, já muito querido através de revistas de arte alemãs... E Di Cavalcanti, um dos homens mais inteligentes que conheci, com os seus desenhos já então duma acidez destruidora. Tudo gênios, tudo obras-primas geniais... Apenas Sérgio Milliet punha um certo mal-estar no incêndio com a sua serenidade equilibrada... E o filósofo do grupo, Couto de Barros, pingando ilhas de consciência em nós, quando no meio da discussão, perguntava mansinho: - Mas qual é o critério que você tem da palavra "essencial", ou - 'Mas qual é o conceito que você faz do "belo horrível"...

Éramos uns puros. Mesmo cercados de repulsa cotidiana, a saúde mental de quase todos nós nos impedia qualquer cultivo da dor. Nisso talvez as teorias futuristas tivessem uma influência única e benéfica sobre nós. Ninguém pensava em sacrifício, nenhum se imaginava mártir: éramos uma arrancada de heróis convencidos, uns hitlerzinhos agradáveis. E muito saudáveis. Quanto a mim, mais intuída que emocionada, a consciência de culpa que depois perseguira bastante minha obra poética, apenas se entremostrara pela primeira vez nos versos finais de Minha Loucura, em Paulicéia Desvairada.

Era estranho... Aquela última frase me desagradava, eu não gostava daquilo.

Mas não tinha a menor possibilidade de renegar o que escrevera!

A Semana de Arte Moderna, ao mesmo tempo que coroamento lógico dessa arrancada gloriosamente vivida (éramos "gloriosos" de antemão...), era um primeiro golpe de pureza do nosso aristocratismo espiritual. Consagrado o movimento pela aristocracia paulista, e ainda sofreríamos por algum tempo ataques por vezes cruéis, a grandeza regional nos dava mão forte e... nos dissolvia nas impurezas da vida. Ao exemplo da vida principiavam as "intenções", os cotejos idiotas, as enfraquecedoras revisões de valores.

Está claro que a aristocracia protetora não agia de caso pensado, e se nos dissolvia, era pela própria natureza do seu destino e do seu estado regional. Principiou o movimento dos "salões". E vivemos uns seis anos na maior orgia intelectual que a história artística do País registra. Está claro que, na intriga burguesa, a nossa "orgia" não era apenas espiritual... O que não disseram, o que não se contou das nossas festas...

Champanha com éter, vícios inventadíssimos, as almofadas viravam "coxins", toda uma semântica do maldizer... No entanto, quando não foram bailes públicos, como o do Automóvel Clube e os da S.P.A.M. (que foram o que são bailes desenvoltos de sociedade), as nossas festinhas nos salões modernistas eram as mais inocentes brincadeiras de artistas que se pode imaginar.

Havia a reunião das terças, à noite, na Rua Lopes Chaves. Primeira sem data, essa reunião semanal continha exclusivamente artistas, e precedeu mesmo a Semana de Arte Moderna. Sob o ponto de vista intelectual foi o mais necessário dos salões, se é que se podia chamar salão aquilo. Às vezes doze, até quinze artistas se reuniam no estúdio acanhado, onde comíamos doces tradicionais brasileiros e se bebia um alcoolzinho econômico. As discussões chegavam a transes agudos, o calor era tamanho que um ou outro sentava nas janelas (não havia assento para todos!), e assim mais elevado dominava pela altura, já não dominava pela voz nem o argumento. E aquele raro retardatário da rua ainda não calçada, parava em frente, na esperança de algum incêndio por gozar.

Havia o salão da Avenida Higienópolis, que era o mais selecionado. Tinha por pretexto o almoço dominical, maravilha de comida luso-brasileira de tradição. Ainda aí, se a conversação era estritamente intelectual variava mais e se alargava. Paulo Prado, com o seu pessimismo fecundo e o seu realismo, convertia sempre o assunto das livres elucubrações estéticas aos problemas práticos da realidade brasileira. Foi o salão que durou mais tempo e se dissolveu de maneira bem malestarenta. O seu chefe, tornando-se por sucessão, o patriarca da sua família, a casa foi invadida mesmo aos domingos, por um público da alta que não podia compartilhar do rojão dos nossos assuntos. E a conversa se manchava de pôquer, nomes sociais, dinheiro. Os intelectuais vencidos foram se retirando aos poucos. É o salão que me deixou mais saudades felizes.

E houve o salão da Rua Duque de Caxias, que foi o maior, o mais verdadeiramente salão. As reuniões semanais eram à tarde, também às terças-feiras. E isso foi uma das causas das reuniões noturnas do mesmo dia irem esmorecendo na Rua Lopes Chaves. A sociedade da Rua Duque de Caxias era a mais numerosa e mais variegada também. Só em certas festas especiais, no salão moderno decorado por Lasar Segall, o grupo se tornava mais coeso.

Também aí o culto da tradição era firme, dentro do maior modernismo. A cozinha, de cunho afro-brasileiro, aparecia em almoços e jantares perfeitíssimos de equilíbrio. E conto entre as minhas maiores venturas admirar essa mulher excepcional que foi dona Olivia Guedes Penteado. A sua discrição, o tato e a autoridade prodigiosos com que ela soube dirigir, manter, corrigir essa multidão heterogênea que se chegava a ela, atraída pela sua figura e prestígio, artistas, políticos, ricaços, cabotinos, foi incomparável. O salão da Rua Duque de Caxias teve como elemento principal de dissolução a efervescência política que estava preparando 1930. A fundação do Partido Democrático, o ânimo politico eruptivo que se apoderara de muitos artistas, baixara um mal-estar sobre o salão. Os democráticos foram se afastando. Por outro lado o fachismo (fascismo - nota do Vermelho) nacional encontrava algumas simpatias entre as pessoas de roda, e ainda estava muito sem vício, muito desinteressado para aceitar acomodações. E sem nenhuma publicidade as com firmeza, dona Olivia soube terminar aos poucos o seu salão modernista.

O último em data dos salões foi o da Alameda Barão de Piracicaba, congregado em torno de Tarsila. Não tinha dia fixo, mas as reuniões eram quase semanais. Durou pouco. E não teve jamais o encanto das reuniões que fazíamos, quatro ou cinco artistas, no antigo ateliê da admirável pintora.

Isto foi pouco depois da Semana, quando esta, definitivando na compreensão conformista a existência de um espírito de revolução, principiou nos castigando com a perda de alguns empregos. Eu teria ficado literalmente no desvio, se o acaso da morte de meu pai em 1921, não fizesse com que o Conservatório, consagrando a memória do pai, elegesse catedrático o filho, um ou dois meses antes do fevereiro da Semana! O cargo era vitalício e não o perdi. Mas perdi todos os meus alunos particulares, menos alguém que ficou por motivos de nenhuma pedagogia. Belazarte contou um caso bastante parecido em Menina de Olho no Fundo. Mas dos três salões aristocráticos, Tarsila conseguiu dar ao dela uma significação de maior independência, maior comodidade. Nos outros dois, por maior que fosse o liberalismo dos que os dirigiam, havia tal imponência de nobreza e tradição no ambiente, que não nos era possível nunca evitar um tal ou qual constrangimento. No de Tarsila jamais sentimos isso. Foi o mais "gostoso" dos nossos salões aristocráticos.

Embora lançando inúmeros processos e ideias novas, nós éramos, então, especialmente destruidores. Até destruidores de nós mesmos, porque o pragmatismo das pesquisas sempre enfraqueceu a liberdade da criação. A aristocracia tradicional nos deu mão forte, pondo em evidência mais essa geminação de destino - também ela já então autofagicamente destruidora, por não ter mais uma significação verdadeiramente funcional. Quanto à aristocracia do dinheiro, sempre nos olhou com confiança e nos detestava.

Nenhum salão de novo-rico tivemos, nenhum milionário estrangeiro nos acolheu. Os italianos, alemães, os israelitas se faziam demais guardadores do "bom-senso" nacional, que Prados e Penteados e Amarais!...

Mas nós
estávamos longe,
arrebatados pelos
ventos autofágicos
da destruição.

E o fazíamos pela festa, de que a Semana de Arte Moderna foi a primeira. A bem dizer, todo esse período destruidor do movimento modernista foi uma fase ininterrupta de festa, de cultivo do prazer. E se tamanha festança diminuiu por certo muito nossa capacidade de produção e serenidade criadora, ninguém pode imaginar como nos divertimos. Salões, festivais, bailes, Spam, semana em fazendas, Semanas Santas nas cidades velhas de Minas, viagens pelo Amazonas, pelo Nordeste, chegadas à Bahia, Itu, Sorocaba. Parnaíba. Era, ainda e sempre, o caso do baile sobre os vulcões... Doutrinários na ebriez de mil e uma teorias salvando o Brasil, construindo o mundo, na verdade nos consumíamos no cultivo amargo de uma necessidade quase delirante de prazer.

O movimento de Inteligência que representamos, em sua fase "modernista" não foi o gerador das mudanças político-sociais posteriores a ele no Brasil. Foi essencialmente um preparador, o criador de um estado de espírito revolucionário. E se numerosos dos intelectuais do movimento se dissolveram na política, se vários de nós participamos das reuniões iniciais do Partido Democrático, carece não esquecer que tanto o P. D. como 1930 eram ainda destruição. Os movimentos espirituais precedem sobre as mudanças de ordem social. O movimento social de destruição é que se iniciou com o P. D. e 1930. E, no entanto, é por esta data que principia para a Inteligência brasileira uma fase mais calma, mais proletária por assim dizer, de construção, à espera que um dia as outras formas sociais a imitem.

E foi a vez do salão de Tarsila se acabar, 1930... Tudo estourava, políticas, famílias, casais de artistas, estéticas, amizades profundas. O período destrutivo e festeiro do movimento modernista já não tinha mais razão de ser. Na rua o povo amotinado gritava: Getúlio! Getúlio!... Na sombra de Plínio Salgado pintava de verde a sua megalomania de Esperado.

Outros abriam as veias para manchar de rubro as suas quatro paredes de segredo. Mas nesse vulcão, agora ativo e de tantas esperanças, já vinham se fortificando as belas figuras mais calmas e construidoras, os Lins do Rego, os Augusto Frederico Schmidt, os Otávio de Faria, e os Portinari e os Camargos Guarnieri. Que a vida terá que imitar qualquer dia.

Capítulo 3


Não cabe aqui o processo integral do movimento modernista. O que o caracterizou essencialmente, a meu ver, foi a fusão de três princípios fundamentais:

1.º - o direito à pesquisa estética;

2.º - a atualização da inteligência artística brasileira;

3.º - a estabilização de uma consciência criadora nacional.

Nada disso representa exatamente uma inovação e de tudo encontramos exemplos na história artística do Brasil: a fundamental, a gloriosa novidade, imposta pelo movimento, foi a conjugação dessas três normas num todo orgânico da consciência coletiva. E se dantes, nós distinguimos a estabilização assombrosa da consciência nacional num Gregório de Matos, ou, mais natural e eficiente, num Castro Alves, é certo que a nacionalidade deste, como o nacionalismo do outro, de um Carlos Gomes e até mesmo de um Almeida Júnior, eram episódios como realidade do espírito. E em qualquer caso era um individualismo. Quanto ao direito de pesquisa e atualização universal da criação artística, é incontestável que todos os movimentos históricos das nossas artes se basearam no academismo. Com alguma exceção rara e sem a menor repercussão coletiva, os artistas brasileiros jogaram sempre colonialmente no certo. Repetindo e afeiçoando estéticas já consagradas, se eliminava assim o direito de pesquisa e consequentemente de atualidade. E foi dentro desse academismo inelutável que se realizaram nossos maiores, um Aleijadinho, um Costa Ataíde, Cláudio Manuel Gonzaga, Gonçalves Dias, José Mauricio, Nepomuceno, Aluísio, e até mesmo um Álvares de Azevedo, até mesmo um Alphonsus de Guimarães.

Ora, o nosso individualismo entorpecente se desperdiçou no mais desprezível dos lemas: "Não há escolas!" e isso terá por certo prejudicado muito a eficiência criadora do movimento modernista. E se não prejudicou a sua ação espiritual sobre o País, foi porque o espírito paira sempre acima dos preceitos como das próprias ideias... Já é tempo de observar, não o que um Ronald de Carvalho e um Carlos Drummond de Andrade têm de diferente, mas o que têm de igual. E o que nos igualava, por cima dos dispautérios individualistas, era justamente a organicidade de um espírito atualizado que pesquisava, já gostosamente radicado à sua identidade coletiva. Não apenas acomodado à terra, mas radicado em sua realidade. O que não se deu sem alguma patriotice e muita falsificação.

Nisso as orelhas burguesas se alardearam refartas por debaixo da aristocrática pele de leão que nos vestira... Porque, com efeito, o que se observa, o que caracteriza essa radicação na terra, num grupo numeroso de gente, é um conformismo legítimo, disfarçado e mal e mal disfarçado nos melhores, mas, na verdade, cheio de uma cínica satisfação, da terra, bastante acadêmica e nacionalista, que não raro se tornou um porque meufanismo larvar. A verdadeira consciência da terra levaria fatalmente ao não conformismo e ao protesto, como Paulo Prado com o Retrato do Brasil e os raros "anjos" do Partido Democrático e do Integralismo. Para a maioria, o Brasil se tornou uma dádiva do céu. Um céu bastante governamental... Graça Aranha, sempre desacomodado em nosso meio que ele não sentia, tornou-se o exegeta desse conformismo modernista, com aquela frase detestável de não sermos a "câmara mortuária de Portugal". Quem pensava nisso! Pelo contrário, o que ficou escrito foi que não nos incomodava nada "coincidir" com Portugal, pois o importante era a desistência do confronto e das liberdades falsas.

O resultado mais barulhento dessa radicação à pátria foi o problema da "língua brasileira". Mas foi puro boato falso. Na verdade, apesar das aparências e da bulha que fazem agora certas santidades de última hora, nós estamos, ainda hoje, tão escravos da gramática lusa como qualquer luso. Não há dúvida nenhuma que nós atualmente sentimos e pensamos o "quantum satis" brasileiramente. Digo isto até com certa 'malincolia', amigo Macunaíma, meu irmão. Mas isso não é o bastante para identificar nossa expressão verbal, muito embora a realidade brasileira, mesmo psicológica, seja agora mais forte e insolúvel que nos tempos de José de Alencar ou Machado de Assis. E como negar que esses também pensavam brasileiramente! Como negar que no estilo de Machado de Assis, luso pelo ideal, intervém um "quid" familiar que o diferença verticalmente de um Garret e um Ortigão! Mas se em Álvares de Azevedo, Varela, Alencar, Macedo há uma identidade nacional que nos parece bem maior que a de Brás Cubas ou Bilac, é porque nos românticos chegou-se a um "esquecimento" da gramática portuguesa que lhes permitiu muito maior equilíbrio do ser com sua expressão linguística.

O espírito modernista reconheceu que se vivíamos já de nossa realidade brasileira, carecia reverificar nosso instrumento de trabalho para que nos expressássemos com identidade. Inventou-se, do dia pra noite, a fabulosíssima "língua brasileira". Mas ainda era cedo, e a força de elementos contrários, principalmente a ausência de órgãos científicos adequados, reduziu tudo a boataria. E hoje, como normalidade de língua culta e escrita, estamos em situação inferior à de cem anos atrás. A ignorância pessoal de vários fez com que se anunciassem em suas primeiras obras como padrões excelentes de brasileirismo estilístico. Era ainda o mesmo caso dos românticos: não se tratava de uma superação da lei portuguesa, mas de uma ignorância dela. Mas assim que alguns desses prosadores se firmaram, pelo valor pessoal admirável que possuíam (me refiro à geração de 30), principiaram as veleidades de escrever certo... E é cômico observar que, hoje, em alguns dos nossos mais fortes estilistas, surgem a cada passo, dentro de uma expressão já intensamente brasileira, lusitanismos sintáxicos ridículos. Tão ridículos que se tornam verdadeiros erros de gramática!

Noutros, esse reaportuguesamento expressional ainda é mais desprezível: querem ser lidos além-mar e surgiu o problema econômico de serem vendidos em Portugal. Enquanto isso, a melhor intelectualidade lusa, numa liberdade admirável, aceitava abertamente os mais exagerados de nós, compreensiva, sadia, mão na mão.

Houve também os que, desaconselhados pela preguiça, resolveram se "despreocupar" do problema: são os que empregam anglicismos e galicismos dos mais abusivos, enquanto repudiam qualquer "me parece" por artificial! Outros mais cômicos ainda, dividiram o problema em dois: nos seus textos escrevem gramaticalmente, mas permitem que seus personagens, falando, "errem" o português. Assim, a "culpa" não é dos escritores, é dos personagens. Ora, não há solução mais incongruente em sua aparência conciliatória. Não só põe em foco o problema do erro de português, como estabelece um divórcio inapelável entre a linguagem falada e a língua escrita - bobagem bêbada para quem souber um naco de filologia. E há mesmo as garças brancas do individualismo que, embora reconhecendo a legitimidade do problema, se recusam a colocar brasileiramente um pronome, para não ficarem parecendo com Fulano! Esses entontecidos esquecem que o problema é coletivo e que, se adotado por muitos, muitos ficavam se parecendo com o Brasil!

A tudo isso se ajuntava, quase decisório, o interesse econômico de revistas, jornais, editores, que intimidados com alguma carta rara de leitor gramatiquento ameaçando não comprar, se opõem à pesquisa linguística e chegam ao desplante de corrigir artigos assinados! Ainda recentemente uma das maiores revistas do País, republicando um conto, não só mudava todo "pra" em "para", o que apenas é fenômeno de surdez rítmica, mas "corrigia" um boleio sintáxico, sem sequer uma consulta ao seu autor! Mas, morto o metropolitano Pedro II, quem nunca respeitou a inteligância neste país!...

Tudo isso, no entanto, era sempre estar com o problema em campo. A desistência grande foi criarem o mito do "escrever naturalmente", não tem dúvida: o mais feiticeiro dos mitos. No fundo, embora não consciente e desonrosa, era uma desonestidade como qualquer outra. E a maioria, sob o pretexto de escrever naturalmente (incongruência, pois a língua escrita, embora lógica, é sempre artificial) se chafurdou na mais antilógica e antinatural das escritas. São uma lástima. Nenhum deles deixará de falar "naturalmente" um "está se vendo" ou "me deixe". Mas para escrever "com naturalidade", até inventam os socorros angustiados das conjunções, para se saírem com um "E se está vendo" que salva a pátria da retoriquice. E é uma delícia constatar que se afirmam escrever brasileiro, não há uma só frase deles que qualquer luso não assinaria com integridade nacional... lusa.

Identificam-se àquele deputado mandando (apenas) fazer uma lei que chamava de lingua brasileira à língua nacional. Mas como incontestavelmente sentem e pensam com nacionalidade, isto é, numa entidade ameríndio-afro-luso-latino-americano-franco-anglo-etc., o resultado é esse estilo "ersatz" em que se desamparam, triste moxinifada moluscóide, sem vigor nem caráter.

Não me refiro a ninguém, me refiro a centenas. Estou me referindo justamente aos honestos, aos que sabem escrever e possuem técnica. São eles que provam a inexistência de uma "língua brasileira" e que a colocação do mito, no campo das nossas pesquisas, foi tão prematura como no tempo de José de Alencar. E se os chamei de inconscientemente desonestos é porque a arte, como a ciência ou o proletariado, não trata apenas de adquirir o bom instrumento de trabalho, mas impõe a sua constante reverificação. O operário não compra a foice apenas, tem de afiá-la dia por dia. O médico não fica no diploma, o renova dia por dia no estudo. Será que a arte nos exime deste diarismo profissional? Não basta "sinceridade" e ressonar à sombra do Deus novo. Saber escrever está muito bem. Mas o problema verdadeiro do artista não é esse, é escrever melhor. Toda a história do profissionalismo humano o prova. Ficar-se no aprendido não é ser natural: é ser acadêmico; não é despreocupação: é passadismo.

O problema era ingente por demais. Cabia aos filólogos brasileiros, que já são criminosos de tão vexatórias reformas ortográficas patrioteiras, o trabalho glorioso de fornecer aos artistas uma codificação das tendências e constâncias da expressão linguísticas nacional. Mas eles recuam diante do trabalho útil, é tão mais fácil ler os clássicos! Preferem a cienciazinha de explicar um erro de copista, imaginando uma palavra inexistente no latim vulgar. Os mais "avançados" vão até aceitar timidamente que iniciar a frase com pronome oblíquo não é "mais" erro no Brasil. Mas confessam não escrever... isso, pois não seriam "sinceros" com o que beberam no leite materno. Beberam des-hormônios... Bolas para os filólogos!

Caberia aqui também o repúdio dos que pesquisaram sobre a língua escrita brasileira. Preocupados pragmaticamente em ostentar o problema, fizeram tais exageros de tornar para sempre odiosa a língua nacional. Eu sei: talvez neste caso ninguém vença o autor destas linhas. Em primeiro lugar, o autor destas linhas, com alguma faringite, vai passando bem, muito obrigado. Mas é certo que jamais exigiu lhe seguissem os brasileirismos loquazes. Se os praticou (um tempo) foi na intenção de pôr em angústia aguda um problema que julgava fundamental. Mas o problema verdadeiro não é vocabular, é sintáxico.
E afirmo que o Brasil hoje possui, não apenas regionais, mas generalizadas no País, numerosas tendências e constâncias que lhe dão natureza característica à linguagem. Mas isso ficará para outro futuro movimento modernista, amigo José de Alencar, meu irmão. Nós fracassamos.

Capítulo 4



Mas eu creio que não foi um desastre insanável o fracasso das pesquisas sobre língua, que apontei no meu artigo anterior. Sob o ponto de vista da radicação da nossa cultura à entidade brasileira, as compensações foram muito numerosas para que o boato falso da língua nacional se tornasse falha grave. Só o que avançamos em sociologia, só a reorganização dos estudos folclóricos e crítico-históricos sob princípios mais científicos, só o repúdio do amadorismo nacionalista e do segmentarismo regional e finalmente só o processo do Homo brasileiro, realizado pelos romancistas e ensaístas, são herança fecundíssima e já esplêndida, que não nos permite sequer melancolia na verificação da bancarrota linguista.

E ainda há que considerar a descentralização intelectual, hoje em contraste aberrante com outras manifestações sociais do pais. Hoje a Corte, o fulgor das duas cidades brasileiras de mais de um milhão, não tem nenhum sentido nacional que não seja meramente estatístico. Pelo menos quanto à literatura, única das artes que já alcançou estabilidade normal no Brasil. As outras são demasiado dispendiosas para se normalizarem numa nação de tão interrogativa riqueza pública como a nossa. O movimento modernista, pondo em evidência e sistematizando uma “cultura” nacional, exigiu da Intelligensia estar ao par do que se passava nas numerosas Cataguazes. E se as cidades de primeira grandeza fornecem facilitações publicitárias sempre de natureza especialmente estatística, é impossível ao brasileiro, “culto” nacionalmente, ignorar um Erico Veríssimo, uma Raquel de Queiroz, um Camargo Guarnieri, nacionalmente gloriosos do canto das suas províncias. Basta comparar tais criadores com fenômenos já históricos mas idênticos, um Alphonsus de Guimarães, um Amadeu Amaral e os regionalistas imediatamente anteriores a nós, para verificar a convulsão fundamental do problema. Conhecer um Alcides Maia, um Carvalho Ramos, um Teles Junior era, nos brasileiros, um fato individualista de maior ou menor “civilização”. Conhecer um Ciro dos Anjos, um Gilberto Freyre, um Guilherme Cesar, hoje, é uma exigência de “cultura”. Dantes esta exigência estava relegada aos... historiadores.

A prática principal desta descentralização da Intelligensia se fixou no movimento nacional das editoras provincianas. E se ainda vemos o caso de uma grande editora, como a Livraria José Olímpio, obedecer à atração da mariposa pela chama, indo se apadrinhar com o prestígio na Corte, por isto mesmo ele se torna mais comprovatório. Porque o fato da Livraria José Olímpio ter cultamente publicado escritores de todo o País, não a caracteriza. Nisto ela apenas se iguala às outras editoras da província, uma Globo, a Nacional, a Martins, a Guaíra. O que exatamente caracteriza a editora da rua do Ouvidor – umbigo do Brasil, como diria Paulo Prado – é ter se tornado, por assim dizer, o órgão oficial das oscilações ideológicas do País, publicando tanto as dialéticas integralistas como a política do sr. Francisco Campos.

Quanto à conquista do direito permanente de pesquisa estética, creio não ser possível qualquer contradição: é a vitória grande do movimento no campo da arte. E o mais característico é que o antiacademismo das gerações posteriores a da Semana de Arte Moderna se fixou exatamente naquela lei estético-técnica do fazer melhor, e não como um abusivo instinto de revolta, destruidor em princípio, como foi o do movimento modernista. Talvez seja este, realmente, o primeiro movimento de independência da inteligência brasileira, que se posta ter como legítimo e indiscutível. Já agora com todas as probabilidades de permanência. Até o Parnasianismo, até o Simbolismo, até o Impressionismo inicial de um Vila Lobos, o Brasil jamais pesquisou (como consciência coletiva, está claro) nos campos da criação artística. Não só importávamos técnicas e estéticas, como só as importávamos depois de certa estabilização e, a maioria das vezes, já academizadas. Era ainda um completo fenômeno de colônia, imposto pela nossa escravização econômico-social. Pior que isso: esse espírito acadêmico não tendia para nenhuma libertação e para uma expressão própria. E se um Bilac da Via Lactea é maior que todo o Lecomte, a “culpa” não é de Bilac... Pois o que ele almejava era mesmo ser parnasiano, senhora Serena Forma.

Essa normalização de um espírito de pesquisa estética, anti-acadêmico porém não mais revoltado e destruidor, é a maior manifestação de independência e de estabilidade nacional que já conquistou a Intelligensia brasileira. E como os movimentos espirituais precedem as manifestações das outras formas da sociedade, é fácil de perceber a mesma tendência de liberdade e conquista de expressão própria tanto na imposição do verso-livre antes de 30, como na “marcha para o Oeste” posterior a 30, tanto na “Bagaceira”, no “Estrangeiro”, na “Evocação do Recife” anteriores a 30, como no caso da Itabira e a nacionalização das indústrias pesadas, posteriores a 30.

Eu sei que ainda existem espíritos coloniais (é tão fácil a erudição) só preocupados em demonstrar que sabem Europa a fundo, que nos murais de Portinari só enxergam as paredes de Rivera, no atonalismo de Francisco Mignone só percebem Schoemberg, ou no “Ciclo da Cana de Açúcar” o “roman-fleuve” dos franceses... Tristão de Ataide, como crítico literário do Modernismo, foi o protótipo desse colonialismo escandalizado; e não podíamos gostar de Piolin??? ou sequer respirar que ele não fosse descobrir nisso consequências imitadas da condecoração dos Fratellini ou de algum modernista da Cochinchina...

O problema não é complexo, mas seria longo discuti-lo aqui. Limito-me a propor o dado principal. Em primeiro lugar carece não esquecer que as mesmas causas produzem geralmente os mesmos efeitos, e que em etnografia existe a lei da “Elementargedanke”, os pensamentos elementares que tanto podem nascer num como noutro lugar, sem que haja necessariamente migração.

Nós tivemos no Brasil um movimento espiritual (não falo apenas escola de arte) que foi absolutamente “necessário”, o Romantismo. Insisto: não me refiro apenas ao romantismo literário, tão acadêmico como a importação inicial do Modernismo artístico, e que se poderá comodamente datar de Domingos José Gonçalves de Magalhães. Estou me referindo ao “espírito” romântico, que está na Inconfidência, no Basílio da Gama do Uraguai, nas liras de Gonzaga como nas Cartas Chilenas de quem os senhores quiserem. Este espírito preparou o estado revolucionário de que resultou a Independência política, e teve como padrão briguento a primeira tentativa de língua brasileira. O espírito revolucionário modernista, tão necessário como o romântico, preparou o estado revolucionário político de 30 em diante, e também teve como padrão barulhento a segunda tentativa de nacionalização da linguagem. A similaridade é muito forte.

Esta “necessidade” espiritual, que ultrapassa a literatura estética, é que diferença fundamentalmente Romantismo e Modernismo, das outras escolas de arte brasileiras. Essas, mesmo a feição mais independente que tomou o Barroco em Minas na segunda metade do século 18, foram todas essencialmente acadêmicas, obediências culturalistas que denunciam muito bem o colonialismo da Inteligensia brasileira. Nada mais absurdamente imitativo (pois se nem era imitação: era escravidão!) que a cópia, no Brasil, de movimentos estéticos particulares, que de forma alguma eram universais, como o culteranismo italo-ibérico setecentista, como o Parnasianismo, como o Simbolismo, como o Impressionismo, como o wagnerismo de um Leopoldo Miguez. São puras superfectações culturalistas, impostas de cima para baixo, de proprietário à propriedade, sem o menor fundamento nas forças populares. Daí uma base desumana, prepotente e, meu Deus! arianizante que, se prova o imperialismo dos que com ela dominavam, prova a sujeição dos que com ela foram dominados. Ora aquela base humana e popular das pesquisas estéticas é facílimo encontrá-la no Romantismo, que chegou mesmo a retornar coletivamente às fontes do povo e, a bem dizer, criou a ciência do Folclore. E no verso-livre, no Cubismo, no atonalismo, no predomínio da rítmica, no Super-realismo místico, no Expressionismo, iremos encontrar essas mesmas bases populares. E até primitivas, como a arte negra. Assim como o cultíssimo “roman-leuve” e os ciclos com que um Lins do Rego processa a civilização nordestina, ou Otavio de Faria a decrepitude da burguesia, ainda são instintos e formas funcionalmente populares que encontramos nas mitologias cíclicas, nas sagas e nos Kelevalas e Nibelungos de todos os povos. Já escreveu um autor, como conclusão condenatória, que “a estética do Modernismo ficou indefinível”... Pois essa é a melhor razão de ser do Modernismo! Ele não era uma estética, nem na Europa nem aqui. Era um estado de espírito revoltado e revolucionário que, se a nós nos atualizou, sistematizando como constância da Inteligência nacional o direito anti-acadêmico da pesquisa estética e preparou o estado revolucionário das outras manifestações sociais do país, também fez isto mesmo no resto do mundo, profetizando esta contemporânea Guerra dos Cem Anos de que uma civilização nova nascerá.

E hoje o artista brasileiro tem diante de si uma verdade social, uma liberdade (infelizmente só estética) uma independência, um direito às suas inquietações e pesquisas que, não tendo passado pelo que passaram os modernistas da semana, ele não pode imaginar que conquista enorme representa. Quem se revolta mais, quem briga mais contra o politonalismo de um Lourenço Fernandez, contra a arquitetura do Ministério da Educação, contra os versos “incompreensíveis” de um Murilo Mendes, contra o expressionismo de um Guignard?...Tudo isto são manifestações normais, discutíveis sempre, mas que não causam o menor escândalo público. Pelo contrário, são as próprias forças governamentais que aceitam a realidade de um Portinari, de um Vila Lobos, de um Lins do Rego, de um Almir de Andrade, pondo-os em cheque e no perigo constante das predestinações. Mas um Flavio de Carvalho, mesmo com as suas experiências numeradas, e muito menos um Clovis Graciano, mas um Camargo Guarnieri mesmo com as incompreensões que o perseguem, um Otávio de Faria com a crueza dos casos que expõe, um Santa Rosa, jamais não poderão suspeita o a que nos sujeitamos, para que eles pudessem hoje viver abertamente o drama que os persegue. A vaia acesa, a carta anônima, o insulto público, a perseguição financeira... Mas recordar é quase exigir simpatia e estou a mil léguas disto.

Ainda caberia falar sobre o que chamei de “atualização da inteligência artística brasileira”. Com efeito, não se pode confundir isso com a liberdade da pesquisa estética, pois esta lida com formas, com a técnica e as representações da beleza, ao passo que a arte é muito mais larga e complexa que isso e tem uma funcionalidade imediata social, é uma profissão e uma força interessada na vida. A prova mais evidente esta distinção é o famoso problema do assunto em arte, no qual tantos escritores se emaranham. Ora não há dúvida nenhuma que o assunto não tem a menor importância para a inteligência estética. Chega mesmo a não existir para ela. Mas a inteligência estética se manifesta por intermédio de uma expressão interessada da sociedade, que é a arte. Esta é que tem uma função humana, maior que a criação hedonística da beleza. e dentro desta funcionalidade humana da arte é que o assunto adquire um valor primordial e representa uma mensagem imprescindível. Ora, como atualização da inteligência artística, é que o movimento modernista representou um papel contraditório e muitas vezes precário. Mas me reservo para demonstrar isso numa conferência que farei na Casa do Estudante do Brasil.

Vou terminar estas memórias gratas. Manifestando-se especialmente pela arte o movimento modernista foi o prenunciador, o preparador e por muitas partes o criador de um estado de espírito nacional. A transformação social do mundo com a quebra gradativa dos grandes impérios, a prática europeia de novas ideologias políticas, a rapidez dos transportes e mil e uma outras causas internacionais, bem como o desenvolvimento da consciência americana e nacional, os progressos internos da técnica e da educação, impunham a criação de um espírito novo e exigiam a reverificação e mesmo a remodelação da inteligência brasileira. Isto foi o movimento modernista, de que a Semana de Arte Moderna ficou sendo o brado coletivo principal. Há um mérito inegável nisso, embora aqueles primeiros modernistas... das cavernas, que nos reunimos em torno de Anita Malfatti e Vitor Brecheret, tenhamos como que apenas servido de altifalantes de uma força universal e nacional muito maior que nós. Força fatal, que viria mesmo. Creio que foi um crítico paraibano, Ascendino Leite, quem falou uma vez que tudo quanto fez o movimento niderbustam far-se-ia da mesma forma sem o movimento. Não conheço lapalisada mais graciosa. Porque tudo isso que se faria, mesmo sem o Movimento Modernista, seria pura e simplesmente... o movimento modernista.

Fonte: Estadao.com.br - Estes artigos foram originalmente publicados no jornal O Estado de S. Paulo por ocasião do 20.º aniversário da Semana de Arte Moderna, em fevereiro de 1942; foram republicados em 2002, no 80º aniversário daquele evento.

Meu comentário


propósito inicial deste mutirão era a Semana de Arte Moderna, no entanto terminamos indo além do modernismo. Que tal enviar este links para seus contatos, o mutirão continua,..

Luis Nassif:  A gênese do  Mutirão da Semana de Arte Moderna
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/mutirao-da-semana-de-arte-moderna


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