21/06/2017

Judas se tornou simbolo brasileiro

Postei no face com o seguinte adendo:

Esse furor por fofocar vem de onde...alguém da área da psicoterapia procuraria saber por influencias da mãe, do pai...
Em nome do pai?
Em nome da pai?
A fofoca vem de onde?
O que é a delação senão uma expressão mais arrojada da fofoca

 


Ah sim, o titulo do seu post deveria ser Fofocas, calúnias e a (m)idiotização do povo brasileiro

Comentário ao texto Fofocas, calúnias e a idiotização do povo brasileiro, por Carlos Motta


Carlos, parabéns pelo texto, e olha lá que você foi modesto, pois a situação é muito grave,...na área dos x9 tenho visto por ai coisas do arco da velha..,..a delação depreciação do outro para ganhos pessoais ou para satisfação de instintos que só mesmo Freud para explicar invadiu o nosso cotidiano e, como somos o povo que mais faz eco nas redes sociais, isso já nos rendeu alguns dissabores, como por exemplo, termos sido solo fértil para a guerra 2.0 empreendida pelos EUA e isso, frente aos prejuizos de toda a ordem que estamos tendo, não é pouco, certo...


A onda do momento é o X-9 o dedo-duro a delação de forma que, como apontou o cientista brasileiro Moniz Bandeira, radicado na Alemanha, o Brasil adotou como simbolo Judas, aquele da delação premiada, que dedurou por 30 dinheiros...aluno #x9 grava professor para entrega-lo à frente fascista Escola Sem Partido, um dos monstros que emergiu das trevas com as Jornadas de Junho/13, as quais foram usurpadas pelo campo conservador....

Somos um povo que se diverte com pegadinhas como os tais "testes de infidelidade", que na verdade é pura invasão da vida privada alheia...

O que dizer de colegas de trabalho que, inclusive fora do trabalho, através da espionagem das redes sociais ou através de conversas armadas devidamente printadas a serem entregues ao chefe...é nisso em que esse pais foi transformado pela cultura lavajateira MBLista...

Não resta a menor sombra de dúvida de que, caso o golpe de Estado se aprofunde e se instaure uma ditadura como a que já tivemos, o que vai abundar de cabos anselmos por aí não tá no gibi...

Dito isso, me vem uma dúvida que, como  disse no início, talvez Freud explique, mas não sei: o que move o sentimento de delação


??????????????

Resultado de imagem para A inveja não é você querer o que o outro tem (isso é a cobiça), mas querer que ele não tenha, é essa a grande tragédia do invejoso.

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Você tem a resposta?

O que levou Judas, só para ficar num caso antigo, a delatar depreciar trair jesus

Apenas como meio de buscar poder, dinheiro, fama e confiança junto ao chefe, ou seja, como forma de empoderar-se?



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A midia e a delação depreciação do outro...veja como Temer apareceu preto nos portais da grande midia e, com o passar do dia, à medida em que fica claro que não será derrubado pelo TSE, foi ficando branco....


As cores da mídia brasileira – O embranquecimento como purificação do poder

"(..)

Por Bajonas Teixeira
Temer ontem, no segundo dia do julgamento do TSE, amanheceu no portal UOL bem escurecido, com um véu sombrio sobre sua reputação. Mas, à medida que o dia avançou, e ficou “mais claro” que ele contaria com a maioria dos votos no TSE, rasgou-se o véu e um Temer clean e arroseado emergiu de dentro dele.
Pergunto-me quando os negros descobrirão que parte substancial da verdadeira “ideologia racial” no Brasil é contrabandeada através das imagens da mídia no jornalismo político.  Para significar bandido, denunciado, desmascarado, suspeito, acuado, as imagens são escurecidas, amulatadas ou enegrecidas na mídia. Já quando se quer pintar o indivíduo  como vitorioso, poderoso, limpo, inocente, ou honesto, ele é clareado e embranquecido.





A delação e a Justiça:

"(...) Segundo Damásio de Jesus, “a origem da "delação premiada" no Direito brasileiro remonta às Ordenações Filipinas, cuja parte criminal, constante do Livro V, vigorou de janeiro de 1603 até a entrada em vigor do Código Criminal de 1830. O Título VI do "Código Filipino", que definia o crime de "Lesa Majestade", tratava da "delação premiada" no item 12; o Título CXVI, por sua vez, cuidava especificamente do tema, sob a rubrica "Como se perdoará aos malfeitores que derem outros á prisão" e tinha abrangência, inclusive, para premiar, com o perdão, criminosos delatores de delitos alheios.”[5]



"(...) São tempos de farsa, informação dirigida, de destruição de partidos e reputações de pessoas. Isso não é privilégio da emissora dos Marinhos. É aplicável a todas as demais partícipes da formação do pensamento único nacional. Desse modo, o título desse texto invocando a TV Globo é mero simbolismo, devido ao alcance na corrosão de mentes indefesas, desarmadas de senso crítico e discernimento por ela imprimido. Mas foi ela a apoiadora de primeira hora da ditadura militar, manipulava o noticiário econômico, propalando altos índices da poupança fruto da inflação alta (verdade que escondia). Foi ela que boicotou as eleições diretas e entre suasmaldadesque vieram à tona estão o escândalo Proconsul. Décadas depois reconheceu o erro no qual reincide.



Há a delação  feita sob tortura ou prisões, que são feitas como forma de salvar a própria pele, tipo escapar de uma prisão perpétua ou do corredor da morte, sendo que a Lava Jato é um exemplo clássico, onde delatores pagos e com promessa de liberdade após serem condenados a 50 ou mais anos de prisão, são instados, com promessa de serem soltos, a dizerem aquilo que o juiz/promotor que ouvir que possa levar Lula à prisão....sim, mas além dessa, há a delação de graça.

Da delação contra Tiradentes: neste caso estamos falando de lawfare, o Direito Penal do Inimigo...a este respeito publiquei no GGN um artigo de 

Direito Penal do Inimigo: da Alçada a Lava Jato


O juiz Sérgio Moro em conluio com a midia e MPF,  um caguete a serviço dos EUA?

"(...) Os EUA e o pré-sal

Os Estados Unidos sempre se colocaram à disposição para colaborar com o avanço da operação Lava Jato. Em um dos poucos casos em que essa cooperação se tornou pública, em 2015, autoridades estadunidenses aceitaram um pedido do Ministério Público Federal (MPF) para rastrear depósitos que permitissem desmontar a engrenagem montada pela empreiteira Odebrecht para pagamentos de propina no exterior.



"(...)

O processo judicial exige provas. A delação só tem valor jurídico se acompanhada de provas. No caso de acusações por corrupção tem que existir o subornado, o subornador, e a prova do suborno – de um lado o pagamento, de outro lado o benefício.
Suponha que determinada empresa queira fazer um agrado a um ex-presidente. Por si, não é corrupção. Para caracterizar a corrupção tem que haver a contrapartida, amarrar o pagamento a um episódio específico.
O método de acusação da Lava Jato é tão óbvio quando o dos Processos de Moscou:
1.Levantam qualquer espécie de pagamento que possa ter sido feito a Lula, por palestras no exterior e aqui, para armazenamento dos presentes da Presidência, para financiamento do Instituto Lula – em tudo parecido com o que ocorreu com o Instituto Fernando Henrique Cardoso.
2.Levantam provas de corrupção na Petrobras.
3.A partir daí tentam forçar relações entre um caso e outro, em uma espécie de jogo de junte-os-pontos.
Ora, há pontos fundamentais para caracterizar a corrupção:
1.Provas cabais de entrega de dinheiro a Lula, por depósitos, contas no exterior ou em dinheiro vivo.
2.Provas cabais de enriquecimento patrimonial de Lula, como documentos provando posse de imóveis ou outros bens.
E aí a Lava Jato se enrola.
Contando com os mais potentes instrumentos de investigação da história – a NSA, FBI e Departamento de Justiça na cooperação internacional, os bancos de dados do Banco Central, Receita, Coaf, as interceptações telefônicas e as delações premiadas – a equipe da Lava Jato não conseguiu levantar uma prova sequer contra Lula.


http://jornalggn.com.br/noticia/xadrez-dos-processos-de-moscou-e-de-curitiba



Por Paulo Henrique Tavares

Nassif, além dos processos de Moscou, do lado dos sovéticos, podemos incluir o caso do Casal Rosemberg.
A lógica é até mais semelhante.
Por quê? criou-se uma hipótese: A URSS (СССР) não seria capaz de desenvolver sozinha a bomba atômica não fosse com a ajuda de espiões traidores estadunidenses que venderiam os segredos aos comunistas soviéticos. Lembrar que é o início do Macartismo.
Qual é a semelhança com o Brazuca: Precisamos tirar qualquer chance de vitória da esquerda em 2018, para isso, precisamos destruir qualquer símbolo, partido ou candidato de esquerda. Hipótese: Houve desvios na Petrobras, logo, ele (apenas o Lula) se beneficiou, obrigatoriamente da suposta roubalheira. À partir disso, todos sabemos o circo: ele é dono de um suposto triplex (numa cidade extremamente decadente, que com alguma generosidade, deve custar R$ 300.000,00) e um sítio, que na verdade é do filho do Jacó Bittar, que é amigo do Lula há 50 anos.
Lá como cá foi armado um circo, tudo dentro da "legalidade" e uma pressao brutal da mídia (em época que não havia internete), um verdadeiro fascismo. Conclusão: O casal foi executado por traição à suposta pátria. 
Lá como cá, todas as evidências absolviam o casal. Até porque, mesmo que eles quisessem entregar, eles nem tinham acesso aos supostos segredos. Essa era a principal prova.
Qual foi a prova definitiva: a CIA/FBI pegaram o irmão da Ethel Rosemberg e ameaçaram o cara, forjando um monte de acusações e, se ele "não entregasse" a irmã, ele pegaria uma cana duríssima.
Então, ele "disse" que diversas vezes foi visitar a irmã e via ela conversando com russos ao telefone (esta por incrível que pareça, foi a "prova definitiva"). Ele foi liberado e a irmã e o cunhado para o corredor da morte.
50 anos depois este irmão declarou: eu fui covarde, eu menti para salvar minha pele e entreguei minha irmã. Este cara (o rimão da Ethel) já morreu há alguns anos.


Moro e os Processos de Moscou

"(...)

O acirramento da última campanha eleitoral, o atropelo na condução da política de ajuste fiscal e a tragédia que é a comunicação do governo Dilma favoreceram o cenário de intolerância que hoje vivemos. Todavia, nos próximos meses não há coisa mais importante a fazer do que resistir ao golpe. Vitorioso, vai-se o Pré-Sal, o que nos resta de soberania nacional e parecerão suaves as dificuldades que hoje atingem o mundo do trabalho.  



JK...Vargas...Jango...a nossa história está repleta de casos de perseguição politica com base em fofocas de jornal: Lula não é a primeira vitima desse tipo de jogo sujo...

"(...)

Só mesmo presos em regime de prisão preventiva, alguns depois de serem condenados a prisão perpétua como forma de tortura, acusam Lula, isso porque se não for assim não recebem os milhões de premios da Lava Jato, nem saem da masmorro do Moro e muito menos podem desfrutar dos produtos do furto

Quando o depoimento é feito por testemunhas livres de interesses partidários e que não estão em situação de tortura, inocentam Lula...não nos esqueçamos de que pelo menos 67 testemunhas inocentaram Lula no caso do "triplex" do Guarujá...interessante se notar que também JK foi acusado de ter triplex e de ser corrupto, e hoje se sabe que tais acusações falsas eram uma forma de eliminá-lo das eleições que em ocorreriam em 1965...como ele era inocente, tal como o é Lula, as eleições foram suspensas e o golpe foi aprofundado com efetivação de Castelo Branco por eleição indireta, AI-5...

Testemunhas da Odebrecht inocentam Lula


Lulinha dono da Friboi...e vc que acreditou, com base em fofocas, que o filho de Lula era um dos homens mais ricos do mundo...e agora heim..

"(...)

Essa semana, o GGN também mostrou que a PF também vasculhou a vida financeira de outro filho de Lula, Luis Cláudio e, na comparação entre a movimentação financeira e as fontes de recursos declaradas à Receita Federal, entre 2011 e 2014, não houve identificação de traços de corrupção como os alarmados pelo Ministério Público Federal, que creditam à família de Lula, ainda, a posse do apartamento no Guarujá.
Ao responder sobre a compatibilidade entre a movimentação financeira no período analisado e as fontes de recursos, o perito escreveu ao delegado Anselmo: “Observando-se esses valores, é possível constatar que movimentação financeira efetiva a crédito das contas bancárias de titularidade de Luis Cláudio Lula da Silva, apresenta maior divergência nos anos de 2013 e 2014. Nos demais anos, e no acumulado do período, a movimentação financeira exibe montantes próximos ao da fonte de recursos.”




Bezerra da Silva e a delação no imaginário popular

"(...) Se a figura do malandro, como alguém que consegue transitar em meio a uma ordem social excludente - e seu necessário contraponto, o mané - são estruturantes na composição de Bezerra, sua temática permite perceber várias faces da condição subalterna brasileira urbana da segunda metade do século XX, e entendo que muito de sua reflexão ainda permanece válida nos dias de hoje: a presença do Estado-repressor e a ausência do Estado de bem-estar social, que já mencionei; a marginalização e a criminalidade como possibilidade de subsistência e mesmo de resistência; as relações cotidianas; o papel econômico e social das drogas ilícitas; mas também a festividade, ainda com um toque de crítica social, como no irresistível samba "Pagode na casa do gago".






O que leva um delator a entrar em ação, heim...

Não sei,,,vc sabe

?

Será que a delação pode ser explicada pelo marxismo, ou seja, pela teoria da luta de classes,....neste caso o tema nos remete ao lumpesinato que entrega o outro ao patrão...,..temos também a figura do capitão do mato....o que mais: ah sim, a classe média brasileira que, volta e meia, acha-se rica e começa a fazer o jogo da nossa putrefata zelite zelote, essa gente que cheira a enxofre...

O que dizer da delação no mundo animal, ao que me parece, para salvar a própria pele....no caso dos humanos seria mais que isso, claro, quem sabe o desejo de destruir ao vizinho que, sob seu ponto de vista, não é merecedor disso ou daquilo: mas isso é inveja e não delação...ou seria a delação um instrumento da delação....um instrumento de classe, se quisermos ver a coisa pela ótica marxista...enfim...





E isso:

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A sociedade da delação, por José Roberto Botochio*

A primeira delação premiada que a História do Brasil registra foi a levada a efeito pelo coronel, fazendeiro e minerador Joaquim Silvério dos Reis contra os inconfidentes de Minas Gerais, em 1789. De sua língua viperina partiu a denúncia de que um grupo de idealistas estava a sonhar com a ruptura dos grilhões políticos da colônia com Portugal e até com proclamação da República. Um deles, o mais famoso, Tiradentes, não só pagou essa ousadia com a própria vida, como foi esquartejado e teve seus despojos publicamente expostos. Também preso, o cúmplice-traidor valeu-se da delação para se livrar de castigo e, como apregoaria dois séculos depois a propaganda de uma popular marca cigarros do mesmo nome da Vila Rica dos inconfidentes, para em tudo “levar vantagem, certo?”. Como recompensa, recebeu da Coroa lusitana pensão de 400 mil-réis, o título de fidalgo da Casa Real e o hábito da Ordem de Cristo. “Delatar um levante pode dar lucro bem alto!”, escreveu Cecília Meireles no imperecível poema Romanceiro da Independência. 
Até nossos dias, Silvério dos Reis encarnou a personalidade mais abjeta e repulsiva da História. Mesmo aqueles que se regozijam e se comprazem com a traição, como disse Cervantes no Dom Quixote, sentem irreprimível aversão ao traidor. Mas os tempos são outros, conquanto nos ensine a inspirada sabedoria dos poetas que o tempo não passa, os homens é que mudam. E vemos hoje a delação premiada e criteriosamente negociada (Silvério dos Reis também pactuou a sua com o visconde de Barbacena) entronizar-se como a modernidade em matéria de investigação criminal e o inexorável futuro do processo penal. Tal e qual voga extravagante e nociva que de vez em quando empolga a sociedade, associa-se às interceptações telefônicas e telemáticas como o mais eficiente e milagroso instrumento da ciência da investigação criminal. A velha e boa pesquisa técnica de busca e análise de vestígios materiais das infrações penais e indícios seguros de sua autoria, tão demorada e afanosa, cede passo ao pragmatismo conveniente e à célere facilidade da câmera de vídeo. Desenvolveu-se uma espécie de impaciência (ou macunaímica preguiça?) com o trabalho percuciente e minucioso da busca científica da verdade criminal. Proclama-se a obsolescência da ciência de Sherlock Holmes, tão talentosamente realçada pelo imaginoso talento de Arthur Conan Doyle, e se fez a opção definitiva pela perigosa superficialidade do “basta ouvir alguém dizer”. 
Indispensável consignar que ordinariamente delações não são espontâneas nem livres. Homens outrora poderosos, agora alquebrados pelo sofrimento do cárcere desumano, desesperados por penas excessivas, atormentados pela perspectiva de terminarem seus dias na prisão, são conduzidos por certos agentes da autoridade ao mercado de escambos onde lhes arrancam informações em troca de penas mais leves ou mesmo da liberdade em que possam usufruir o butim amealhado. Homens partidos são tangidos para a delação não em busca de títulos ou pensões – embora alguns tenham recebido vantagens pessoais na mesma bandeja em que serviram a cabeça dos delatados. De suas gargantas asfixiadas pelo garrote vil do constrangimento emergem novos autos de devassa, com sanha persecutória e desfecho semelhantes ao de Vila Rica. Na medida em que a prova se mostra débil, insuficiente, convoca-se um colaborador de plantão para transfundir sangue novo na anêmica artéria da acusação. Se no tempo dos porões do autoritarismo o preso era frequentemente levado ao pau de arara para novas confissões, os “colaboradores” agora são chamados a sucessivas etapas da delação conforme vão surgindo as necessidades acusatórias. Sua recusa significa imediato retorno à enxovia. 
Quando, enfim, acabam por declarar tudo o que os inquisidores desejam ouvir, merecem fé pública – e é de auto de fé que se trata. Não há hoje nos nossos tribunais palavra mais ilibada, testemunho mais confiável, acusação mais idônea que a do delator gratificado. Na bíblia persecutória, seu verbo se faz prova inconteste. Não importa que a Lei n.º 12.850, que em 2013 instituiu a “colaboração premiada”, ressalve no parágrafo 16 do artigo 4.º que “nenhuma sentença condenatória será proferida com fundamento apenas nas declarações de agente colaborador.” 
A delação extraída, fruto da pressão dos inquisidores e da desesperança do delator, em geral despida de ancoragem nas provas, deveria ser um ponto de partida da investigação criminal – e não, como tem sido regra, seu início, meio e fim. Rituais travestidos de procedimento legal remetem à Inquisição, ao Terror da Revolução Francesa, aos processos de Moscou e consolidam-se como gazuas a romper com a civilidade da justiça democrática do Direito Penal dos povos livres. Vetustos institutos, como presunção de inocência, obrigatoriedade do ônus da prova a cargo do acusador, observância rigorosa do devido processo legal, a par de prisões longevas sem culpa formada e condenação, são relegados em nome de uma suposta “guerra santa” que certos policiais, procuradores e até juízes se julgam messianicamente predestinados a travar. 
No rol de pontos da fora da curva em que derrapa a delação premiada também cintilam extravagâncias como esse novo tipo de sequestro relâmpago oficial chamado “condução coercitiva”, prisões e afastamentos do cargo de senadores e deputados só alcançáveis por outro Poder se flagrados em crime inafiançável, perseguição a jornalistas e advogados. O espetáculo parece reger-se menos pelas leis que pelas “vozes das ruas”, amplificadas pela turba, como disse Rui Barbosa – “turba agitada por uma tromba de cólera.” É a sociedade da delação. 

* Advogado criminalista, foi presidente Nacional da OAB, da OAB/SP, da AASP Associação dos Advogados de São Paulo e deputado federal (PDT/SP)

Brasil 247
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