02/10/2013

Debate no Facebook: Sobre o estado da arte em Goiás

Sempre que faço isso[colar aqui no blog comentários do FB] os links são do layout são abduzidos, somem,
Mas achei interessante e resolvi postar apesar do risco de desconfiguração do blog, com o tempo volta ao normal
Boa leitura


Amanhã, sábado, 28/09, o artigo A CEGUEIRA NAS ARTES VISUAIS EM GOIÁS, no qual faço um diagnóstico da escuridão que se instalou sobre o circuito das artes visuais, será publicado no jornal O Hoje. Vamos abrir os olhos!






Curtir ·  · Seguir publicação ·  · 27 de setembro às 17:02 ·Editado


  • A CEGUEIRA NAS ARTES VISUAIS EM GOIÁS
    Link para acessar o artigo publicado na página 4 do jornal O Hoje.
    Na verdade o texto original é bem maior e não caberia no espaço do jornal. O que vocês lerão é uma versão enxuta.
    Entendo que ficar em silêncio é compactuar com a cegueira.

    http://www.ohoje.com.br/pageflip/2517/index.html — com Edney Antunes e outras 49 pessoas.
    • Carla de Abreu Sabe o que passa Sobral.... teremos que esperar mudar as cabeças deste governo bandido para podermos pensar em tirar o véu da cegueira. Texto muito bem escrito, parabéns ...
    • Cayo Honorato Se me permite, Carla, discordo de você. Não há que se esperar por nenhum governo. A reação, como sugere o texto, de muitas maneiras, deve ser imediata e permanente. Fora disso, a posição é de cumplicidade.
    • Carla de Abreu permito e concordo em parte com você Cayo Honorato ... entendo que a classe tem que buscar portas alternativas, mas, o que vemos é algo desgastante... tanto descompromisso, cansa!
    • Christiane Cavalcante Frauzino Esperar do poder publico eh morrer a mingua. Tem como vc publicar a versao original do texto? Abracos
    • José César Teatini Clímaco As duas coisas, eu acho: nós - artistas e pessoas de alguma forma ligadas a cultura - temos que reagir de várias formas (uma é como fez brilhantemente o Sobral) e batalhar para mudar o governo bandido!
    • Edney Antunes Marconi e seus asseclas inimigos publicos da cultura.
    • João Colagem Não foi a toa que eu morri! O retrocesso de possibilidades para as ARTES VISUAIS EM GOIÁS e visível, ao longo dos anos empobrecemos muito, só não vê quem tem a conta bancaria garantida. Muitas pessoas com algum grau de cultura que migraram para aqui neste últimos anos vem criticando seriamente esta atitude do governo de Goiás.
    • André Bragança É uma pena, que as artes plásticas sejam tratadas dessa forma em Goiás. Afinal produzimos riquezas e geramos lucro para o estado. Nossos artistas têm sempre levado o nome de Goiás e a sua cultura para outros estados e países. Produzimos arte de qualidade, temos nomes consagrados em todo o mundo. 
      Mas em casa de ferreiro o espeto é de pau, né!!! Embora ame minha cidade (Goiânia, e meu estado, Goiás) realmente sinto vergonha de dizer que ai, não posso visitar um museu no fim de semana, e agora, pelo que já vi, nem durante a semana. Procure um museu, nas grande capitais do país e encontrará muitos abertos no fim de semana, que é quando o publico em geral, pode frequentar esses espaços; mas em Goiás... a porteira continua fechada. onde ir conferir a produção dos artistas da cidade, na feira???? Será preciso me deslocar até outro estado, ou país, para ver o trabalho dos meus conterrâneos??? 
      Não é por nada que nossos artistas estão morrendo.
    • José Loures Tudo isso é um ciclo vicioso: O professor de artes não tem estrutura e o respeito necessário "artes não reprova", o aluno e escola não respeitam a disciplina, as exposições ficam vazias ou com as mesmas figurinhas de sempre, o governo afirma que não tem público ou motivos para incentivar as artes visuais, os estudantes da FAV quase não tem conhecimento de como é o mundo real e viram professores....
    • Ádria Lopes Aqui na cidade de Goiás,com tanta referência histórica, não está diferente não...
    • José Loures Anápolis está na mesma:
      https://www.facebook.com/photo.php...



      23/09/2013 - Fico feliz pelas áreas contempladas, mas gostaria de saber, por qual razão artes visuais não é Cultura? Segue abaixo um e-mail que enviei para o atual prefeito em 2011. Olá Prefeito Antônio Gomide, venho por esse e-mail tratar sobre a questão do espaço que as Artes Visuais possuem em nossa cidade. Sou José Antônio Loures, 23 anos, estudante de artes visuais na Universidade Federal de Goiás, terminando a minha graduação em dois meses, no momento sou estagiário não remunerado na Galeria Antônio Sibasolly, localizada na Secretaria de Cultura da cidade. No mais recente concurso para a prefeitura, se teve várias vagas para músicos, licenciados em Artes Cênicas, e aqueles formados em Literatura e Letras. Anápolis tem uma vasta história em Artes Plásticas, já que foi pólo de vários artistas importantes em Goiás, dentre eles, meu falecido Tio Loures. A Escola de Artes Oswaldo Verano foi o lar de vários artistas, inclusive eu, devido ao pouco incentivo aqui na cidade, apenas alguns seguiram a diante e entraram nos cursos de Artes Plásticas e Licenciatura em Artes Visuais, alguns nomes importantes, Paulo Henrique, que já foi diretor da Galeria de Artes Antônio Sibasolly, e recentemente foi o curador do 17° Salão Anapolino de Arte, hoje trabalha na área de educação, em Goiânia. Silvio Morais, artista responsável pelo monumento de 100 anos da cidade de Anápolis, e tão erroneamente construído, sem o mínimo de cuidado e respeito com o projeto original, hoje sua principal profissão é a arquitetura. Um pouco sobre ele: http://artistasanapolinosvitrine.blogspot.com/2010/02/artistas-anapolinos-entrevista-silvio.html Esses são nomes da era 2000 - 2005, ainda residem na cidade vários artistas que construíram as artes em nossa cidade, como o artista plástico Napefi, hoje professor na escola de artes, Issac Alarcão que junto ao meu tio fundaram a Galeria e Museu de Artes da cidade. A professora da escola de artes, Glélia que tenta unir, com muito esforço, os estudantes de artes e as obras apresentadas na Galeria e Museu. Entrei na faculdade de Artes Visuais na UFG, em 2008, e lá conheci vários outros estudantes de artes da nossa cidade, a cada ano, Anápolis envia para a UFG, vários estudantes de Artes Visuais - Artes Plásticas e Licenciatura, estudantes que diariamente acordam as 5 da manha, voltam para as suas casas ás 14 horas, e se tiverem aulas no período da noite, apenas as 20 horas. Não é fácil essa rotina, e muitas vezes já pensei em desistir, mas sigo em frente por amor a minha profissão, já realizei algumas oficinas gratuitas na Galeria, além de palestras, e hoje sou monitor e estagiário não remunerado por lá. Tal estágio que somente foi conseguido, por causa da minha dedicação, do Sr. Alberto Faleiros e Secretário da Cultura, Augusto. Durante meses, levei e trouxe documentos, assinaturas e etc., esse convênio com a UFG abrange; música, dança, artes cênicas, artes plásticas e licenciatura em artes. Isso não foi algo pequeno, pois a quantidade de estudantes anapolinos desses cursos na UFG é grande, diariamente se tem por volta de centenas de anapolinos que vivem essa rotina, agora pense quantos estudantes de épocas passadas foram obrigados a estagiar em Goiânia ou outras cidades, eles não seriam necessários por aqui? Esses estudantes, incluindo eu, não temos a mínima oportunidade em nossa cidade, que tanto amamos, boa parte segue carreira em outros estados ou abandonam o conhecimento adquirido no curso, simplesmente por não ter onde exercer a profissão. Em 2010 realizei um ensaio fotográfico sobre os monumentos históricos e artisticos da cidade, o que encontrei foi o nada. Praticamente nenhuma informação, artistas, fotos, nada. Os registros e livros oficiais contem apenas informações de cunho político, e é só. Os formados em Artes Plásticas tem habilitação para trabalhar em museus, curadoria, exposições, palestras, eventos artísticos, pesquisas e restauração, essas são algumas das funções que podemos exercer. Meu ensaio fotográfico: http://artistasanapolinosvitrine.blogspot.com/2010/06/exposicao-fotografica-de-jose-antonio.html Venho aqui pedir respeito com a história da cidade, com tudo que foi construído dentro das Artes, não repita o erro de outras administrações, onde se dizia "Anápolis não tem artista", a cidade tem, e de excelente qualidade e dedicação a carreira, venho aqui por respeito e oportunidade com a coisa mais bela deste mundo, que é a arte. Atenciosamente, José Loures, Artista Plástico. — com Manoela Afonso e outras 48 pessoas.

      Linhas & traços, percorrem meu caminho como artista. Cores, ausências delas, temas fortes, polêmicos e românticos, santo & profano, fatores presentes em meu trabalho. Não faço isso por agrado a ninguém, a arte não é um presente e sim um questionamento, seja na estranheza ou na paixão.
    • Cayo Honorato Deixando claro meu apoio incondicional ao texto doDivino Sobral, para seguir com a discussão, penso que, neste momento, seria igualmente importante fazermos uma espécie de exercício de descentramento, levantando argumentos quanto à relevância das artes visuais não só do ponto de vista dos artistas e demais agentes do meio, mas também do ponto de vista da sociedade. Isso porque, em vez de reivindicações "em causa própria", como se a importância das artes contasse com uma prerrogativa abstrata, me pareceria ter mais contundência o que dissesse respeito a uma parcela maior da população, ainda que não de maneira empírica. Afinal, o que perde a sociedade quando os espaços destinados às artes visuais são deixados à míngua? Afinal, de quais espaços de arte (se não de que arte) esta sociedade precisa? Certamente não são questões de fácil resposta, mas enquanto nós não a tivermos na ponta da língua, gente como os governantes do estado de Goiás seguirão tendo indigesta razão.
    • Selvo Afonso Fazer crítica é muito fácil , e principalmente sem conhecimento de causa , e sem mostrar soluções . Infelizmente não temos os melhores Museus do Pais , mas temos , Temos pessoas que lutam para levar estas instituições com dignidade , mas que enfrentammuitas barreira s e dificuldades , Quero informar aos desavisados , que o Museu de Arte de Goiânia , abre nos finais de semana , com produções artísticas locais e de outros Estado s do Brasil ,de artista s que mandam propostas através do edital , procurem o MAG , mostrem o que estão produzindo , vamos mostrar que temos .Santo de casa aqui também pode fazer milagres . Todo grande artista de hoje , um dia teve um começo , ninguém nasce sabendo tudo , e acho que todos tem que fazer sua parte , o caminho não é fácil , Temos muitas pessoas que estão levando o nome de Goiás para o Brasil , Sobral é um deles , temos que parabenizar e fazer a nossa parte . Vamos conhecer melhor o que temos antes de fazer criticas , existem pessoas sérias e trabalhando para fazer da Arte de Goiás referência no Brasil !
    • Sophia Pinheiro Queria saber cadê esse tanto de gente na reunião do forúm setorial de Artes Visuais. Fomos apenas 6 pessoas representando a toda uma classe. Seu texto é bem emblemático, Divino Sobral e toca bem no delicado nervo discutido piamente.
    • Carlos Sena Passos Sophia Pinheiro, veja esse blog que foi criado na época da reunião setorial artes visuais em 2011 -http://forumavgoias.blogspot.com.br/ Confira você mesma quem esteve nela e o que então foi discutido. O desencanto atual que esvaziou essa última reunião, creio, se deu com a falta de crédito que a Secult Goiásatribuiu a esse fato, a ponto de desconsiderar as reivindicações que foram levantadas e divulgar, um documento com a não inclusão da área de artes visuais dentre os segmentos que a conferência atual pretende discutir. Isto, além de algumas pessoas que se plantaram dentro dessa citada reunião para minar seus propósitos, espalhando uma rede de intrigas e calúnias de cunho pessoal, quando, aquele era um momento de agregarmos forças e pensar no bem coletivo da categoria... Tudo isso desanima baby, é muito murro em ponta de faca!

      forumavgoias.blogspot.com
    • José Carlos Lima Spin Participe do viral ISSO AQUI NÃO É UMA GALERIA DE ARTE
    • Divino Sobral UFA! Caros, acompanho atento as diferentes posições colocadas por cada um que se manifestou após a publicação do texto sobre a cegueira nas artes visuais. Fico contente por motivar o debate e por ver que apesar da descrença na gestão pública, ainda é possível mobilizar - e tudo começa com a palavra - as pessoas em torno de um problema comum.
    • Divino Sobral Quando citei o Saramago foi para mim como se estivesse fazendo um chamamento ao meio de arte: esperança!
    • Divino Sobral Um retorno a todos: obrigado pelos comentários, curtidas e compartlhamentos! Respondendo a alguns: concordo comJosé César Teatini Clímaco, no sentido que temos que ajudar a mudar o quadro político; enquanto escrevia o texto, me lembrei muito de João Colagem e de sua performance "Morto", que achei bastante significativa;Sophia Pinheiro eu não fui à reunião mas estava atento a tudo que acontecia no cenário e ao meu modo fiz minha participação; Carlos Sena Passos penso que talvez dando murros em pontas de facas consigamos sair vitoriosos da batalha e não esfaqueados até a morte por falta de resistência; meus agradeçimentos a José Loures por apresentar a situação de Anápolis e a Adria Lopes por trazer os espaços da Cidade de Goiás; Cayo Honorato bacana sua intervenção e pertinentes as perguntas "o que perde a sociedade quando os espaços destinados às artes visuais são deixados à míngua? de quais espaços de arte (se não de que arte) esta sociedade precisa?"
    • Divino Sobral São mesmo respostas que devemos ter.
    • Divino Sobral Ana Maria Morais, obrigado por ter apresentado o artigo ao editor do jornal O Hoje, a quem agradeço por seu meio. A imprensa é uma grande aliada na defesa pelo funcionamento dos nossos espaços culturais. Em nome do Grupo Artes Visuais Goiás convido O Hoje a nos ajudar a encontrar algumas respostas para as indagações suscitadas pelo Cayo.
    • Divino Sobral Na verdade, o diagnóstico é bem mais grave. Se for olhar bem, nada por aqui anda funcionando inteiramente.
    • Divino Sobral TRAZENDO A SARDINHA PARA NOSSA BRASA. Os trabalhadores das artes visuais em Goiás tem sua parcela de responsabilidade diante da cegueira que se formou nos últimos anos. Isolados e mudos, cada um no seu atelier, não conseguem articular uma conversação coletiva e assim ficam como seres despolitizados, sem poder de fala e de inserção junto aos instrumentos públicos. Goiás não tem assento na Setorial Nacional de Artes Visuais organizada pelo MinC porque não conseguiu colocar sua voz e sua contribuição, anos atrás, quando se reuniram profissionais do Brasil inteiro para discutir e propor as políticas públicas para o setor. O trabalho desenvolvido em 2011 pelo Fórum Artes Visuais Goiás quase foi jogado na lama por alguns artistas, cujo ego é maior que a razão, que sabotaram o espaço de diálogo e de conquista coletiva que estava sendo construído.
    • Divino Sobral Em Goiás, atualmente, a cena de artes visuais é bastante heterogênea, com muitos grupos disputando o escasso espaço, segmentos de mercado e interesses de inserção; e isso ao mesmo tempo em que é bom, é também ruim, pois torna mais complexa a operação de encontrar um denominador comum capaz de equacionar as individualidades num meio tão imaturo e sem profissionalismo. São enormes as dificuldades encontradas para agregar os artistas visuais ou plásticos em torno de uma causa coletiva. O provincianismo, o umbigo como centro do mundo, os ressentimentos, as práticas caluniosas, as rivalidades infundadas, as intrigas, os insultos, as agressões e as diferenças pessoais, corroem rapidamente as tentativas de mobilização e organização do setor com o objetivo de intervir e agir no campo das políticas públicas para artes visuais.
    • Divino Sobral No panorama diversificado de nossos artistas, a maioria tem deficiências graves para lidar com questões implicadas no atual circuito de arte, como a exigência de participação clara e objetiva nas proposições coletivas. São problemas estruturais de formação que tem que ser vencidos. Não podemos esquecer que a solicitação feita ao artista no Século XXI é bastante diferente da que foi feita no século passado. As mudanças não param de acontecer e quem ficar parado vai certamente perder o trem da História.
    • Divino Sobral Apesar das dificuldades, é preciso polir as pedras.
    • Edney Antunes o centro cultural Oscar Niemeyer se tornou "o ponto cego" de uma orbita em torno do vazio, Niemeyer não merecia isso.
    • Carlos Sena Passos O texto abaixo foi publicado em O Popular no dia 4 de dezembro de 2010. Pelo visto, de lá para cá o problema da Cultura em Goiás só se agravou.

      DESENHO DA NOSSA PRÓPRIA IDENTIDADE

      Carlos Sena


      Sobrevivência é o nome do fantasma que voltou a assustar os produtores, promotores e agenciadores de cultura, que, de alguma forma, operam com as Instituições Culturais de Goiás. A instabilidade, a insegurança e a insatisfação dominam as rodas quando se fala no gerenciamento dos espaços públicos. E mais, vai se configurando um quadro não condizente com os anseios da área cultural, que depois de muito avançar nos últimos anos, acabou por criar uma expectativa de “longos e bons tempos” para a cultura. No início deste novo milênio, Goiás iniciou um denso processo de amadurecimento cultural, que agora parece esmorecer.

      Os avanços acontecidos nos últimos anos foram perceptíveis nas diversas segmentações culturais, sejam ligadas à preservação da memória sejam atreladas aos desdobramentos do presente. Mudanças de enfoque dos produtores e da política cultural oficial incidiram sobre o redimensionamento da própria imagem do Estado na trama da cultura brasileira. Até 20 anos atrás estávamos vinculados apenas ao regionalismo, sem contato com outros centros produtores e realizávamos produções de interesse apenas local. Mas, há mais dez anos (sem esquecer o que antes fomos) passamos a experimentar situações de maior diálogo com outras influências culturais (nacionais e estrangeiras), a ter produções mais contextualizadas no ambiente urbano e focadas nas questões do mundo contemporâneo, e isto levou ao reconhecimento das nossas propostas em destacados fóruns de debates da cultura brasileira.

      Todavia, não foi só em Goiás que as dúvidas e as incertezas se instalaram na área cultural. Em muitos lugares as incertezas chegaram com as últimas notícias de mudanças nas estratégias políticas da administração dos aparelhos culturais dos Estados (o que deriva das mudanças de Governo, de partidos e de interesses). Ações sucessivas e previsíveis de desmonte do aparelho cultural público: cortes de verba, demissão de pessoal, fechamento de diversos órgãos, desatendimento ao público consumidor de bens culturais, etc. No Brasil é sabido que as instituições culturais atreladas à máquina governamental sempre viveram a mercê do destino que cada mandato lhes conferira. E o país mesmo nunca teve uma real política cultural.

      A desmontagem do aparelhamento cultural público exibe o quanto a área é frágil, e, principalmente, mostra o quanto os governantes desconhecem a importância do acesso da população aos bens culturais – que em suma formam um patrimônio coletivo.

      Traçar uma política cultural para o Estado implica em fortalecer as instituições culturais, por meio de verbas, de boas condições físicas, de contratação de recursos humanos devidamente preparados para o exercício das inúmeras atividades da administração cultural, dos recursos que a tecnologia oferece, de metas que venham contribuir para profissionalizar os trabalhadores da área cultural, e de programas que permitam, sobretudo às classes mais carentes, o maior acesso aos bens culturais (incluídos aqui os populares e os elitizados). Uma política cultural concreta objetiva incentivar a continuidade da produção, ampliar e preservar o patrimônio artístico e cultural para disponibilizá-lo à população de forma correta, conseqüente, educadora. É o tecer de uma trama entre gerações do presente, do passado e do futuro que desenha nossa própria identidade. É uma aliança entre os aparelhos culturais e educacionais que permite a democratização dos bens culturais como elemento na formação da cidadania legítima. É um investimento em todos os sentidos!

      Da ausência de uma política cultural séria podem advir conseqüências graves como a geração de cidadãos desprovidos de memória, de referências de sua história e de sua identidade, o enfraquecimento do sentimento coletivo de pertencimento a um povo, e também ações desastrosas como uso indevido de benefícios fiscais para alimentar projetos demagógicos, oportunistas, incipientes e assistencialistas que antes de fornecer uma consciência cultural aos cidadãos, visam o impacto através de intervenções de qualidade duvidosa e valor questionável. Muitas delas já se esboçam na paisagem, infelizmente.
    • Carppio de Morais Uma sociedade que rouba seus artistas, terá no futuro o empobrecimento mental de toda uma geração, e os seus artistas serão adotados por outras culturas.






          • PUBLICAÇÕES RECENTES

          • VAMOS RETIRAR AS VENDAS DOS OLHOS!

            No dia 23 de setembro, me reuni com Carlos Cipriano, Presidente do Conselho Estadual de Cultura, para apresentar meu diagnóstico de cegueira e sobretudo para entregar a Carta de Propostas do Fórum Artes Visuais Goiás elaborada e aprovada durante a I Conferência Estadual de Cultura, que deveria ser instrumento de orientação para as políticas públicas destinadas ao setor.
            Constam em meus arquivos registros dos diferentes processos e etapas de elaboração da Carta de Propostas, incluindo desde manuscritos até o texto final.
            Conforme eu supunha o Conselho não teve, antes, acesso ao documento. Como não pude comparecer à reunião convocada para o dia 17 de setembro, achei que era minha obrigação entregá-lo ao Cipriano, que recebeu muito bem as propostas e disse que elas serão consideradas na elaboração dos editais do Fundo Estadual de Cultura.

            Se ficarmos quietos nada acontecerá!

            A foto abaixo mostra o mural de anotações realizadas em 2011 pelos participantes do Fórum.

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