13/03/2017

Da confraternização do historiador Leandro Karnal com o facínora Sérgio Moro

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Facínora: diz-se de ou indivíduo que executa um crime com crueldade ou perversidade acentuada.
Caro Leandro Karnal, não dá mesmo para compactuar com uma pessoa da estirpe de Sérgio Moro, de forma que só tenho a lamentar que seu nome será imediatamente associado a prisão ilegal e injusta de Lula que, é claro, dadas as circunstância de um processo de exceção, deverá ocorrer. Sinto muito, mas não foi apenas um gesto de um historiador para com um  juiz de direita, partidarizado e sim  confraternização com um facínora,....não há outro adjetivo para classificar Moro senão o de facínora, veja só a que ponto chegou o facínora Sérgio Moro:

Ontem às 09:22 ·
Qualquer um que tenha minimamente acompanhado essas audições, sabe que o juiz de Curitiba deixou rolar frouxo todo tipo de opinião pessoal, quando se tratava de denegrir a imagem do ex presidente Lula. Aquele cara que foi candidato antipetista em Santos, vigia do prédio que está sendo alvo de inquérito, deitou e rolou, enquanto Moro mal disfarçava um sorriso cínico. Agora que a defesa pergunta se o governo do ex presidente Lula foi bom para o país, Moro, na sequência, indefere a pergunta. É ou não é perseguição?
Ministro de Temer diz que jamais viu Lula envolvido em corrupção e Moro surta e interrompe depoimento

Isso também:
Márcio Vallery disse:

Nassif, como sempre, excelente análise. Há pouco fiz um comentário em post anterior, sobre o mesmo assunto. Vou repetir aqui, pois cheguei atrasado no anterior, quando ele já estava páginas atrás. Grande abraço.
Caro Leandro Karnal,
Como seu (ainda) admirador, não poderia deixar de criticar, não somente o encontro com Moro, como as justificativas que você apresenta supostamente para “quem gosta de você”.
Em primeiro lugar, deixo claro que considero ser absolutamente um direito de qualquer pessoa tecer amizades com quem quer que seja, assim como expor as opiniões que possui. Claro que nossas amizades e nossas opiniões são capazes de provocar reflexos na opinião do outro e, na verdade, apreciamos as pessoas, e delas nos tornamos amigos, muito em função de nossas posturas frente à realidade, assim como em decorrência das pessoas que nos cercam. Somos como nos apresentamos. Para um Zé Ninguém, a repercussão dos posicionamentos será quase nenhuma e poucos se importarão sequer em criticar. Apenas passarão a manter uma distância segura. Para os que vivem o dilema da fama, para as figuras públicas, a conta é muito maior. Se a opinião de um famoso possui uma incrível densidade e poder de persuasão coletiva, por isso mesmo exigindo responsabilidade ética para sua emissão, que dizer da palavra de um intelectual?
O intelectual, ao menos em princípio, possui um aparato cognitivo, capaz de produção de análise sobre a realidade, muito acima da média dos seres humanos, por assim dizer, “comuns”. Não precisa ser um historiador, no entanto, para compreender que o Brasil vive uma fase atípica em sua política e democracia. A democracia, sob esdrúxulas e espúrias motivações, foi estuprada pelos senhores do poder (e não estou falando dos políticos profissionais). A percepção de que o voto seria insuficiente para retornar à agenda político-econômica anterior precipitou o golpe pela via mdiático-jurídico-parlamentar. Criminalizaram, mais uma vez, as políticas voltadas para o andar de baixo, como antes já fizeram com Vargas ou com Jango.
Há momentos, Karnal, em que precisamos escolher o lado certo da História. O lado certo estava com os abolicionistas, não com os escravagistas. Estava com as sufragistas, não com o patriarcado que pretendia manter as mulheres sem poder decisório na sociedade. Com a resistência, não com os nazistas.
O estupro da democracia no Brasil, em larga medida, foi possibilitada pela ação do juiz Sérgio Moro, que você apelidou de “inteligente”. Não duvido dessa inteligência. Seria o mesmo que duvidar da inteligência de Heidegger. Todavia, não é possível fechar os olhos para o fato de que Heidegger abraçou o nazismo. Conversar com um racista inteligente é possível. Eu o faria. Richard Dawkins por diversas vezes conversou ou debateu com religiosos. Confraternizar, rir e chamar de amigo, contudo, coloca essa conversa em outra dimensão. A da pusilanimidade moral e intelectual ou simplesmente a adesão à vilania.
A “inteligência” de Sérgio Moro, que você saúda, é voltada para a corrupção da interpretação da lei; à deformação do processo penal, transformado em perseguição ao inimigo político; à seletividade dos vazamentos de atos processuais que, em tese, deveriam ser sigilosos; enfim, ao mais puro exemplo de como reproduzir o macartismo em terras tupiniquins.
Óbvio que somos livres, inclusive, se assim quisermos, para encetarmos amizade entre os porcos. Porém, e por favor, evite a dramatização barata. Você não está sendo perseguido ou patrulhado por quem “não gosta de você”. Pelo contrário, as manifestações são de admiradores seus, surpresos por sua inocência ou pela cara-lavada de vangloriar-se de amizade por alguém que, hoje, é visto por parcela substancial da sociedade brasileira como um inimigo da democracia, como um baluarte contra os avanços sociais e contra o combate à pobreza, como alguém que utiliza o aparato institucional para eliminar adversários políticos.
Talvez você não perceba nenhuma conexão entre a derrocada da economia brasileira (com todas as tragédias individuais que dela resulta) e os atos do Sr. Sérgio Moro e famigerada Lava Jato, mas parte significativa do povo assim entende o que está ocorrendo com o Brasil.
Sim, Karnal, estamos divididos, o ódio está presente. A responsabilidade maior, no entanto, repousa naqueles que resolveram que a democracia era um direito grande demais para os brasileiros e resolveram cassá-la. Compete a quem esbofeteou a face de 54 milhões de brasileiros pedir desculpas e recolocar as coisas no seu devido lugar. Quem foi esbofeteado está gritando, mas é o grito dos indignados.
No fim das contas, Karnal, o preço de singelas desculpas pode ser um preço módico a pagar. Uma convulsão social seria bem pior. Nesse momento, os brasileiros estão se alinhando: há o lado do “coxismo” – golpistas – e há o lado dos democratas. Sérgio Moro não é democrata. Ao se alinhar a ele, você passa a mensagem de que tampouco o é.
Não fique com raiva de quem o critica. Posicione-se, como você sempre faz. A resposta que você deu não é uma posição, é uma arrogância: você está dizendo que os adeptos do ódio te impediram de manifestar um posicionamento. Não é verdade. Foram os indignados que se manifestaram sobre a foto, não raivosos. O principal fomentador do ódio no país não criticou a foto, pois nela estava com você, sorridente, brindando com uma taça de vinho.
Pense nisso e, por favor, volte à sanidade.
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José Carlos Lima disse:

"A surpresa de muitos ao confrontar o desempenho de Ministros do Supremo com sua história pregressa é a mesma dos que se escandalizam comparando intelectuais antes e depois de se tornarem celebridades."
Está tão clara esta metáfora sobre o antes vs depois de se tornarem celebridades. Ao ler esta parte do texto do Nassif me lembrei de um amigo comentando sobre o Gilmar Mendes antes e depois de se tornar celebridade: "no governo FHC fui buscá-lo no aeroporto para uma palestra...o cara não era nada, parecia um sapão (fez gestual do bicho) e hoje anda por ai com essa pompa toda.."..,..ah sim, cá prá nós: se bem que na física e na química dos tucanos ele(Gilmar) lindo e cheiroso seja desde sempre..,....rsss
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