15/07/2011

Arte em processo (Border)

Lembro-me que num dos sonhos desta noite o artista plástico Divino Sobral....eu estava realizando uma performance com balões, num certo momento a arte era comestível,  havia uma degustação como parte da obra, era usada cola de mangaba, uma árvore que produz uma cola usada por rurículas para a feitura de futebol.

No sonho Divino Sobral.....eu tentava consertar uns balões que estavam furados. Enchi de ar e usei uma cola que ficou rígida, o que não poderia, pois as pessoas jogariam futebol com aqueles balões, de forma que, havendo partes rígidas, poderiam machucar os pés dos jogadores. Neste momento o divino chegou e conseguiu usar a cola sem que a mesma enrijecesse e até ingeriu aquele líquido que, a neste momento, já era uma agradável sopa de cor marron.

Pense só o que é ter várias visões ou sonhos no campo da arte e se esquecer de tudo logo em seguida.
Foi o que ocorreu nesta noite: lapso

Diante desta minha amnésia ou anamnese, tanto faz, fazer o que senão fazer uma busca no Google

Isso: Performance com balões de hélio


"Atom" - Instalação e performance criada por Robert Henke e Christopher Bauder.
 
Em um quarto escuro com sistema de som de 4 canais foi montada a estrutura com 8x8 pontos controlados via computador. Cada ponto da estrutura tem um motor que controla a subida e descida dos balões e uma lanterna de leds que faz a iluminação do mesmo. Em perfeita sincronia com o som do ambiente, os balões sobem e descem, acendem e apagam, criando uma textura fluída que somada aos efeitos sonoros, criam uma atmosfera lúdica e provocante. Eu não estava lá mas imagino que a experiência deve mexer com o equilíbrio destas pessoas pelas mudanças de perspectiva e efeitos óticos criados pelos movimentos e pelas luzes.

O evento de apresentação dura de 45 a 60 minutos e é manipulado em tempo real.




http://f4cdesign.blogspot.com/2009/06/performance-com-baloes-de-helio.html

 Divino Sobral e Carlos Sena....eu
 pesquisa com as palavras: divino sobral a fome do artista desenho


Até o momento  não cheguei a uma compreensão acerca do sonho desta noite, a incompreensível palavra "daboderna" ou "dabodena" não me lembro ao certo e, do ponto de vista quem está dormindo, não vem ao caso se ser tão literal, sendo que o máximo que podemos fazer é buscar associações, procurar raizes ou semelhanças ou, quem sabe, confrontar o contéudo com as leis do Integral Perfeito


Dentro da palavra, há o termo "boder", com o qual poderíamos fazer as seguintes associações:
Zootecnia: Boder collie, um cão bastante inteligente
Babel: Boder, palavra inglesa que quer dizer limite, fronteira
Medicina: Borderline
Arte: Terry Border
Sociologia, linguística, etc: Resultado de busca no Google com o termo arte e boderline

Texto científico:  Boderline e o espaço potencial Winnicottiano
Mídia: Já acordado vi ou li o tópico de uma matéria no jornal Folha de São Paulo
"E a elegante lei dabordena?"


O Congresso da UNE, e também o de Estudante Latinos, está ocorrendo aqui perto de casa. Muito bonito vê tantas tribos, várias bandeiras, cada um vendendo seus projetos, desejando o melhor para o País, é a nossa juventude. Quanto a fala de Lula no evento, gostei dele ter apontado que a mídia implica com ele porque os barões da mídia veem-no como concorrente. Concordo com o ex-presidente,de fato  Lula é um grande comunicador, as pessoas simples entendem o que ele diz, ao contrário de FHC, que falava falava falava e ninguém entendia. 
A este respeito Brizola Neto escreveu "(...) Lula dá um “chega prá-lá” nas intrigas que tentam criar entre ele e o Dilma, embora a certa altura, dê um conselho indireto ao novo governo para a batalha midiática onde se joga boa parte do sucesso de uma administração. “”Inventaram também que ela é diferente nas coisas que faz, que eu falava muito. É que eu competia com o que eles falavam e o povo acreditava em mim”.
É verdade. Precisamos falar, para competir com o que eles falam. E nisso temos ficado aquém do que é nosso dever.
E competir com o que eles falam é, sobretudo, não ter receio de confrontar o que eles chamam de “verdade evidente”. Estamos deixando de defender posições corretas por falta de confronto ideológico, mostrando que os governos que fizeram “tudo certo” foram os que fizeram o Brasil todo errado.(...)" Para saber mais clique aqui

Literatura: Os 100 maiores livros de não ficção, segundo a revista inglesa The Guardian


História da Arte: O lugar e a obra (Luiz Rodolfo Annes). 

 Como construir um lugar para a obra?

Buscar referências artísticas e explorar o território da arte com seus instrumentos. Circunscrever um campo que conecta a obra a seu tempo, ao ligá-la à história (sincronias e diacronias), estabelecendo sua legibilidade. Identificar diálogos formais/conceituais. Temos uma indicação de referências ao universo corrompido no desenho cru de Mike Kelley e Raymond Pettibon, da viagem entre memórias e sua reconstrução na poética de Louise Bourgeois, da narrativa fundada em situações cotidianas absurdas e densamente eróticas dos quadrinhos de Robert Crumb e da disciplina de um mundo que desmorona em Fábio Noronha.

Como construir o lugar da obra?

Vasculhar indicações literárias, dadas pelo artista em seus escritos, títulos de trabalhos e séries. A tentativa representa uma vontade de encontrar, não fontes, mas vasos comunicantes nos quais se re-signifiquem obras e textos. As pistas mais evidentes vem-nos de referências, entre outras, a Clarice Lispector, Rilke, Artaud, Bataille, Hölderlin, Mallarmé, Adélia Prado ou Caio Fernando Abreu. Mas preservando sempre a consciência de que estes lugares da escritura não tem, eles mesmos, uma cartografia muito precisa e, assim, assemelham-se a certos espaços - a Mongólia de Bernardo Carvalho, a Índia de Antonio Tabucchi ou a Londres de João Gilberto Noll, por exemplo - nos quais mais se percorre, mais se está perdido e se desconcerta. É na estranheza, em verdade, que se justapõem desenhos, gravuras, animações e textos.

Como construir o lugar na obra?

Habitar (as obras) em seus interstícios. Seguir as pistas de suas manobras gráficas - linhas e tracejados. Procurar entender a ambiência do desenho (projeto, desígnio, esboço e quase-escrita) e sua espessura (diário auto-biográfico e/ou ficcional, desvio, marca e coreografia de imagens). Percorremos, a partir daí, seus ocos, pegadas, novas dimensões, nervuras, tendões estendidos ou linhas duras e flácidas. Compreendemos a fatura e artesania dispersa da aquarela, a impregnação da gravura, o grafite levíssimo a dissimular sua potência, as linhas vermelhas ansiosas e tremidas, a esferográfica comum, a massa borrada do guache ou a indecisão do nanquim.

Como construir um lugar dentro da obra?

Flagar como cúmplice, não como juiz, seus delitos, suas impressões, excessos, sonhos recorrentes, pulsões, limites quase rompidos, o que não está reprimido e o que se esconde furtivamente. Percebemos, entre o que mais nos perturba, as encenações do corpo e sua condição extrema de carne e humores, a inexorabilidade da morte (a condição frágil do desenho e a condição frágil da vida), a infância desmontada entre ideais de pureza e outros mitos, a insônia contínua, a ameaça/salvação pelo outro, a vigília inútil e o sexo vibrante, obliterado e perverso. Entendemos que o conhecimento de si funda-se, também, na vertigem.

Como construir o lugar da/na obra?

Compreender que uma trajetória artística é formada por discussões de cada momento, entre perseguições a assuntos urgentes e a pesquisas de base. Desenhar e marcar é também nomear (nomear é traçar limites) e, assim, distingue-se países e territórios por entre a disciplina contínua do desenho. As séries de obras - "Apóstrofe a carne", "Agora as crianças lêem poesia, fazem sexo e fumam ópio" , "Deveríamos ser limpos", "Os dragões não conhecem o paraíso", "O eu é um outro", "O mofo amadurecido", "Os escoteiros menstruam", "Tédio", "Perceval comeu ovos fritos", "O vento nos levará", "Os insetos são terríveis", "Insônia", "O caderno", "Ópio e memória", "O jardim", "Duas bocas e um dedo laranja", "Jesus dá leite", "Do outro lado", "Os cachorros perdoam", Catequese", "Dr. X", "Sem enfeite ou para agitar a orelha enrijecida" , "Apesar das proibições de sua mãe", "Os cântaros de Deus", "Meu dedo no teu olho", "Nossos crimes", "O homem permanecido", "Mergulho", "Humores de batata" e "The last french fried potato" - desenvolvem-se, muitas vezes, simultaneamente mas acionam diferentemente suas paisagens.

Como construir certos lugares?

A poética da obra é permeada por um vocabulário gráfico e seu esclarecimento dá-se na busca destes fragmentos. O desafio é o de organizar o entendimento tendo em mãos um dicionário para sempre desconexo. Alguns dos fragmentos são: abraço, amontoado, bichos, boca, cabeça, carinho, caveira, confronto de duas figuras, corpo, corpo deitado, corpo na terra, corpo saindo de outro corpo, cruz, cubículo, dedo, dedo apontado, desaparecimento, disputa, dor, emaranhados, fantasmas, fenda, flor, ganchos, garra, gota, homem, homem deitado, lágrima, montanha, mulher, nudez, olhares ameaçadores, olhares esquivos, ondas, ovo, paredes, pêlos, posição fetal, seios, ser humano/vegetal, sexo feminino, sexo masculino, sexualidade, solidão, sono, raízes, riso, teias de fios, vegetação rasteira e violência.

Qual é mesmo esse lugar?

Lá, onde uma certa topografia do desenho propõe asperezas e fronteiras, descobre-se porosidades e aderências. É o momento no qual reconhece-se (intuímos) nos relevos dos desenhos alguns acidentes da realidade tão próxima. Fica-se enredado nas linhas dos pequenos dramas de vidas infames e confunde-se o espaço da obra ao do espectador. Decidir enfrentar uma obra (a obra de Luiz Rodolfo Annes, neste caso), pressupõe a invenção e recriação de sentidos onde tudo - o controle do imaginário, a inércia da percepção, o abandono da vontade de mudar a si e ao redor - leva a aceitar passivamente o que já se conhece e o que, preguiçosamente, está-se acostumado. As estratégias para se construir um lugar para a obra assemelham-se muito àquelas usadas para construir os lugares (nossos lugares) no mundo.
Paulo R. O. Reis
set/2004
FONTE: http://www.muvi.advant.com.br/muvi/lendo_arte.html

Atualizção - 16/07/11

(    ) Ontem fiz um spin na rua no sentido de se estabelecer a corroboração ou sincronização do sonho ou visão, tanto faz
Deparei-me com um enorme cacho de balões no meio da rua, balões branco, vermelho, verdes
Dá para construir, a partir deles, estruturas com fio de barbante, usar cola, ir colando os fios, ao final retirar o balão do interior da estrura, dá para abrir frestas e usar para guardar objetos

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