15/05/2009

O Haiti é Aqui? (Ou: O Escândalo da Poupança)

É ridículo o terror do imprensalão em defesa dos "pobres" depositantes da caderneta de poupança, mesmo se sabendo que mais de 99 por cento dos depositantes estão preservados, ou seja, isentos de IR a ser tributado a partir de 2010, isto se o Congresso Nacional aprovar a medida.

O mapa dos depósitos na caderneta de poupança é o retrato mais fiel da desigualdade social no Brasil, pois praticamente 1 por cento de depositantes tem quase a metade dos depósitos. Precisa fazer alguma estatística para se ter noção da desigualdade social no Brasil?

No entanto esta ínfima quantidade de depositantes, por ter poder econômico detêm, também, o poder político. Já vimos este filme antes, no caso da CPMF, quando uma minoria bilionária deixou de contribuir para com os mais pobres no custeio da saúde. O imprensalão já colocou em campo seu velhos soldados tipo Arnaldo Jabor, Miriam Leitão, Reinaldo Azevedo, Josias de Sousa, que beneficiando-se do monopólio da mídia, terão de fazer o Brasil acreditar que não a minoria bilionária mas a grande maioria da população será prejudicada com a taxação da poupança, mesmo se sabendo que os depositantes terão muito tempo para fazer suas contas e verificarem se compensa ou não continuar na poupança. Claro que ficarão na poupança se isso continuar vantajoso. Claro que sairão da poupança se isto for prejudicial. Terão meses e meses para pensar nisso. O imposto será cobrado daqui a aproximadamente a 1 ano, a ser pago daqui a 2 anos.

Na verdade a imprensa brasileira virou agência de publicidade a serviço da eleição de Serra. Basta ver a recente capa de O Globo onde o jornal usa de uma imagem para informa que Lula teria enfrentado manifestantes, sendo o que ocorreu foi o contrário, houve solidariedade entre o presidente e os sem-teto. A atitude de O Globo nos dá uma idéia de como um jornal parece noticiar fatos quando na verdade faz politicagem.

Tudo bem que no dia seguinte o Globo tenha soltado uma pequena linha de rodapé para informar que sua capa estava errada. Ocorre que, do ponto de vista da publicidade, o objetivo de O Globo foi atingido. É o crime organizado em ação, triste Brasil com a elite que temos, que não difere nem um pouco da burguesia do Haiti ou Sudão.
José Carlos Lima
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Por Eduardo Guimarães - em seu blog

Há semanas que a mídia vem enchendo a paciência do país com uma discussão inútil e politicamente burra sobre um assunto que interessa a um grupo de pessoas em número insuficiente para lotar um estádio de futebol. Refiro-me à questão da tributação da caderneta de poupança.
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A discussão é inútil porque o governo federal fez apenas o que tinha que fazer ao tributar as cadernetas de poupança nas aplicações superiores a 50 mil reais, ou seja, propôs que o Congresso aprove uma lei que impeça que grandes aplicadores do mercado financeiro soneguem legalmente imposto de renda ao transferirem para a poupança o dinheiro que estava aplicado em outros papéis que, com a queda da taxa Selic, começam a perder rentabilidade.
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E essa gritaria toda é politicamente burra porque a tributação da caderneta de poupança, se aprovada pelo Legislativo, atingirá apenas 0,99% dos que investem nesse tipo de aplicação – sim, vocês leram direito, atingirá menos de 1% das cadernetas. Os dados foram divulgados na última quarta-feira pelo Ministério da Fazenda e pelo Banco Central e se referem a dezembro de 2008.
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O que mais impressiona é que, apesar desse número ridiculamente pequeno de poupadores ter movimentado todos os grandes meios de comunicação e feito até o PPS ir à tevê mentir sobre a medida que o governo federal adotaria, esse conjunto de poupadores “prejudicados” detém 40,8% de todos os depósitos das cadernetas.
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Conforme os dados apresentados pelo MF e pelo BC, as contas com saldo entre R$ 50 mil e R$ 100 mil somam 600 mil contas e correspondem a 0,66% do total. Nessa categoria, estão depositados 15,1% de todo o dinheiro da poupança, o equivalente a R$ 40,8 bilhões.
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Com saldo total entre R$ 100 mil e R$ 1 milhão, estão outras 290 mil cadernetas ou 0,33% de todas as contas existentes. Esse grupo de poupadores mantinha, em dezembro de 2008, R$ 54,6 bilhões nas contas ou 20,2% dos depósitos.
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Por fim, os poupadores com mais de R$ 1 milhão. Estes, não passam de 3.822 pessoas físicas. Esse grupo representa 0,01% de todos os poupadores. Apesar da participação inexpressiva, porém, o grupo é dono de R$ 14,9 bilhões, o equivalente a 5,5% de todos os depósitos.
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Notem bem que não estamos falando de 1% de brasileiros que serão atingidos pela medida do governo, mas daqueles que têm dinheiro poupado no banco, o que torna esse grupo quase invisível entre o conjunto da população do país, estatisticamente falando.
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Os dados acima revelam ainda mais. Mostram o nível de desigualdade que há neste país. Um por cento, meus amigos. Unzinho por cento dos poupadores detém 40% de todo o dinheiro aplicado em cadernetas de poupança. Essa é a medida da desigualdade de renda no Brasil. E é por esse um por cento que os comunistas arrependidos Roberto Freire e Raul Jungman mentiram daquele jeito.
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Provavelmente, nem esses meliantes sabiam desses dados quando inventaram a mentira de que Lula iria confiscar a poupança – e foi isso que disseram ao alardearem que o presidente iria “mexer na poupança como fez o Collor”. Se soubessem que o prejuízo eleitoral que queriam causar ao governo teria alcance tão pequeno, se desse certo, não teriam se dado ao trabalho – e à vergonha – de contarem mentira tão descarada.
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Depois o público desiste de ler jornal e revista e eles não entendem o motivo - Por Luis Carlos Azenha - aqui
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A História do SPIN