04/12/2008

Inclassificáveis

Por Afonso

Mesmo o DVD de "Inclassificáveis", produzido por uma equipe de primeiríssima, c/ tecnologia de ponta, não consegue captar nem a metade da exuberância visual desse show, nem da performance de Ney. Em "Leve" (de Iara Rennó e Alice Ruiz), por exemplo, a luz parece ser impulsionada pelo vento, num efeito lindíssimo, mas que mal aparece no vídeo. E o figurino de Versolato tem uma luminosidade impressionante, parecendo o brilho do sol sobre as águas, que câmera nenhuma conseguiria captar. Não adianta, "Inclassificáveis" é pra ser visto ao vivo, nada supera a beleza que emana daquele palco. Essa praga de celulares e câmeras domésticas que tomaram conta das platéias, tirando todo o tesão da troca de energia ao vivo, talvez venha de uma falsa sensação de poder que a Net confere aos internautas. Qualquer um consegue captar uma imagem e, por mais ruim que seja, jogá-la no Youtube pra que milhares de pessoas a vejam. Talvez isso dê um certo "prazer" a elas, um sentido de "realização", sei lá. Mas, é verdade também, que isso acaba divulgando os artistas. O próprio Ney reconhece que o sucesso imediatamente estrondoso desse show, se deve em parte às imagens captadas pelo público logo na estréia nacional, em Juiz de Fora. Abs, José Carlos.

Comentário

Ontem mesmo estive com amigo que atua na área de filmagens, a constatação dele é a mesma, o sistema análogico é bem melhor que o digital, ele disse que, em termos de qualidade, não tem nem comparação, no digital sai tudo chapado. Ao assisti ao "Inclassificáveis", diante da beleza do espetáculo, vi aquelas nuances, aquelas sutilezas, seriam impossíveis de serem captadas por uma câmera digital. Pelo menos o sistema analógico, seja na fotografia ou no audiovisual, permitia ao fotógrafo e ao videasta ou cineasta, o registro da sua percepção, a sua poética própria, isto pode ser notado no clip onde, na década de 70, o Grande Ney interpreta "Gaivota," vídeo que está no Youtube. Tanta diferença entre um e outro sistema! Com o sistema digital acabou o limite amador x profissional e isto tem um lado bom: qualquer um de nós pode ser fotógrafo, cineasta, escritor. Você não tá vendo? Até eu virei escritor. Estou sendo lido até em Teerã.

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