03/12/2008

A tradição e a modernidade

Por Nilo

É, cara, o sistema analógico tem seus defensores, que dizem que a imagem digital deixa tudo "chapado" demais. Não sei. Esse número, "Gaivota", foi extraído do especial "Metamorfose", que a Band fez c/ Ney em 1977, qdo ele apresentava o "Bandido" no extinto Teatro Bandeirantes, certo? Dizem que os especiais musicais da Band, da década de 1970, eram excelentes, feitos artesanalmente pra compensar a falta de recursos da emissora. Os músicos mais importantes da época (Chico, Elis, Caetano, etc.) adoravam fazer esses especiais, pois eram garantia de qualidade. Não havia pirotecnia, mas a direção e a edição eram bem caprichadas. E vendo alguns clips bem antigos da Globo, eu realmente me surpreendo c/ a qualidade da imagem de alguns deles. No próprio site do Ney tem um belíssimo, em que ele interpreta "Um índio", c/ máscara e garras imensas metálicas. Segundo a minha mãe (ela e meu pai nunca perderam um show do Ney), aquilo é de 1980 (!!!), pois era o número que fechava o show "Seu Tipo". A imagem está impecável, a expressão corporal e o figurino do cantor impressionam pela modernidade. Agora, aquelas cenas do "Beijo Roubado", eu não faço idéia das condições em que foram registradas, parecem precárias.
Um abraço, José Carlos, e parabéns pelo blog, muito bom e diversificado.
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Comentário

Os espectadores entram nos shows dos artistas com estas maquininhas digitais, filmam e baixam no Youtube, no final das contas, se o artista baixar um vídeo feito por uma produção profissional isto fica prejudicado, pois as filmagens amadoras competem com as profissionais. Até agora não consegui localizar nenhum filmagem do último show do cantor, o "Inclassificáveis", pelo menos algo se aproxime do que vi no palco, os meandros da iluminação, a gestualidade, o que há são filmagens feitas da platéia, portanto feitas de uma grande distância e de um ângulo fixo. De qualquer forma, os artistas devem aprovar isso ou não tem como evitar. Fazer o que ne, vou pelo pegar isso como gancho, para falar dos sistemas analógico e digital como metáforas para a tradição x modernidade, assunto em andamento. Dizem que não há um só mal que não traga um bem. Isto é verdade. (continua no poste seguinte).
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Um comentário:

Afonso disse...

Mesmo o DVD de "Inclassificáveis", produzido por uma equipe de primeiríssima, c/ tecnologia de ponta, não consegue captar nem a metade da exuberância visual desse show, nem da performance de Ney. Em "Leve" (de Iara Rennó e Alice Ruiz), por exemplo, a luz parece ser impulsionada pelo vento, num efeito lindíssimo, mas que mal aparece no vídeo. E o figurino de Versolato tem uma luminosidade impressionante, parecendo o brilho do sol sobre as águas, que câmera nenhuma conseguiria captar. Não adianta, "Inclassificáveis" é pra ser visto ao vivo, nada supera a beleza que emana daquele palco. Essa praga de celulares e câmeras domésticas que tomaram conta das platéias, tirando todo o tesão da troca de energia ao vivo, talvez venha de uma falsa sensação de poder que a Net confere aos internautas. Qualquer um consegue captar uma imagem e, por mais ruim que seja, jogá-la no Youtube pra que milhares de pessoas a vejam. Talvez isso dê um certo "prazer" a elas, um sentido de "realização", sei lá. Mas, é verdade também, que isso acaba divulgando os artistas. O próprio Ney reconhece que o sucesso imediatamente estrondoso desse show, se deve em parte às imagens captadas pelo público logo na estréia nacional, em Juiz de Fora. Abs, José Carlos.